Tive que alterar o layout do blog pra essa coisa semi-bizarra e confusa porque o blogspot está com a página inicial toda desconfigurada. A parte de apresentação, quem sou eu, antecedentes, etc. está toda lá embaixo. Dai, como ainda não descobri o que está acontecendo e como se resolve (Alguém SABE?) adaptei para esse layout. A questão é que as coisas continuam lá embaixo. Não foi uma troca muito vantajosa, eu sei.
O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
terça-feira, 14 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Há uma semana
Antes que o relógio pudesse marcar seis horas e que a Ave Maria anunciasse no rádio o repouso do dia, trouxeram a notícia de sua partida. Lá já se reconhecia que tudo sempre é repentino, súbito, e que a morte é por excelência o ato mais dramático dessa peça que vivemos. De repente, ficou ali naquele ventre o desespero se debatendo em grunhidos, um pouco de sangue tentando alimentar uma vida que já não existia. Deitado, tremendo, tal qual ela deve ter tremido, fechando e abrindo os olhinhos como sempre fizera, pensaram juntos em tantas coisas. Ele levantou-se e ela se foi. Não poderiam compreender esse manto invisível que nos cobre e que nos leva ao ser. Diante disso, desse medo, desse não saber, viviam. E para viver também era preciso ir.
domingo, 5 de setembro de 2010
Blogspot confuso
Alguém me explica por que na página de abertura desse blog o perfil, os posts antigos, etc, estão aparecendo lá embaixo e não do lado dos textos? Que ódio.
Difícil é fazer diferente
Depois que as mais de 17 câmeras de última geração instaladas em pontos estratégicos do Madison Square Garden, em Nova York, foram desligadas e que a tsunami da euforia levou para casa os 15 mil pagantes de ontem, dia 4 de setembro, é oportuno (e justo) pensar na carreira de Ivete Sangalo. Falado por 11 em cada 10 veículos de comunicação do país, o espetáculo foi, sem dúvidas, o show mais esperado de 2010. Com tantos elogios e, evidentemente, demonstrações explícitas de puxa-saquismo, Ivete pretendia, com esse trabalho, ser um marco brasileiro dentro da cultura de massa americana – algo feito, dentro de seus respectivos quadrados e gêneros , claro, por outro juazeirense, João Gilberto, nos anos de 1950 com a bossa-nova.
Embora se tentasse recobrar, digamos, a lucidez diante de tantas expectativas e devaneios dos milhões de fãs que tem no Brasil, ninguém, nem Ivete, nem Jesus, nem a Caco de Telha, nem mesmo a TAM, escondia que esse seria o salto mais desafiador de sua carreira e a possibilidade ímpar de abrir as portas, ainda muito restritas para a sua música, no exterior. De fato esse era e continua sendo o desafio imposto e que, a julgar pela noite de ontem, está bem longe de ser superado.
Com investimentos batendo a marca dos R$ 5 milhões (Quantos podem bancar essa cifra?), o show no Madison poderia ter primado pela ousadia, pela inovação. Se foi um risco empregar tanto capital (simbólico e material), que, pelo menos, o risco fosse vivido até a última gota. Se foi um desafio e todas essas incontáveis pessoas coadunaram com a possibilidade de enfrentá-lo que se buscassem saídas mais criativas e mais originais. O que se viu,entretanto, pelos vídeos já lançados na internet, pelas informações presentes nos principais meios na manhã desse domingo, é que Ivete optou pelo mais do mesmo, pelo caminho mais seguro e do retorno garantido.
Feijão com Arroz
Mesmo com todos os efeitos, da cenografia, da montagem e de todo preparo exigido na composição do show, a sua essência foi a mesma que a de outros. As canções, inclusive, se repetiam sucessivamente. Certo que num estilo que ainda se pauta pelo “pula, sai do chão”, música conhecida é o elemento mágico infalível para encher de alegrias mil qualquer televisor. Apesar disso, num cenário em que pouco se cria de novo e que, paralelamente, tanto clama por novidades e tem sede de inovação, a ousadia de dominar o público pela surpresa é o que pode, aparentemente, garantir boas transformações e novas musicalidades. Pelo menos, é isso que se atesta nos últimos 60 anos da música popular brasileira.
Não é que estejamos aqui repetindo os argumentos superficiais, pueris, de que é vendida ao sistema, de que é produto, de que é caça-níquel. Da indústria cultural, nem o Teatro Mágico, que diz sobreviver com bilheteria e venda própria de cd’s, escapa. Isso, creiam, nunca foi necessariamente ruim – exceto para Adorno e para a Teoria Crítica. Tantos outros que se vendem como alternativos são muitos mais submissos e entregues aos ditames do mercado do que Veveta. Até porque sejamos realistas: se existe alguém que pode dizer o que quer e o que não quer fazer, hoje, na música brasileira, esse alguém tem nome e residência fixa no Campo Grande, em Salvador (E, não, não é Gal Costa). Não desmerecendo seu talento, mas é desse contexto que surge a frustração.
Frustração pelo feijão com arroz – já tomando parte aqui do álbum homônimo de Daniela para um inevitável e sempre temida palavra: comparação. Costuma-se dizer, na Bahia, que La Mercury é parâmetro para as demais. Longe das rivalidades levianas e da troca de farpas dos fãs mais ardilosos, as comparações quase sempre precisam aparecer para termos referências. E o que a gente nota é que não ter medo de vaias, não ter receio de críticas dissonantes e de entrar num círculo “onde-queres-leblon-sou-pernambuco” é um passo necessário para a reciclagem do artista e da sua própria arte. Por trazer as velhas fórmulas e inserí-las em algo que só é grandioso pelos valores monetários aplicados, essa virada que Ivete poderia trazer foi, novamente, adiada. A cobrança poderia ser exagerada se esse trabalho não se propusesse a tantas complexidades: é uma mulher, latina, nos Estados Unidos, cantando basicamente em português, num formato diferente das ‘divas americanas’, etc e tal - sendo ela, inclusive, melhor do que a maioria desses produtos esterializados.
Tem seu preço inovar? Claro que sim. Pode sucumbir na sua própria loucura ‘vanguardista’? Pode. Pode desagradar fãs, pode até perdê-los, pode conquistar inimigos? Pode. E ser rotulada de perdida e outras expressões não tão nobres? Certamente será. Mas esse também pode ser um preço justo em nome do compromisso que se tem com a sua arte, com sua criação, com a cultura, enfim, com o seu povo. Quando se tem compromisso com isso, que fique claro.
Talvez o temor de uma aparição discreta ou de uma carreira internacional fugaz tenham impelido para que a sua inserção recaísse sobre a colônia de brasileiros. Não são poucas as tentativas mal-sucedidas de nossos artistas . Vencer uma barreira de preconceitos não é suficiente: é preciso mostrar qualidade, dialogar musicalmente com quem nada entende de sua língua. Desse pecado, por exemplo, padeceu a dupla Sandy & Junior, engolidos pelo desequilibrado tripé da maturidade, da originalidade e da criatividade.
Reinventar as formas
É inegável que a sua trajetória na música brasileira tem sido vitoriosa. Depois de lançar-se solo, no momento em que o Axé Music dava passos vacilantes, Ivete traçou um rápido caminho para o posto de mais importante artista do show business brasileiro. Rápido, nesse caso, é pura modéstia: foi avassalador mesmo. Aproveitando o excelente momento em 2002, com a vitória surpreendente do Brasil na Copa da Coréia e do Japão, cravou nos corações e mentes dos 180 milhões de brasileiros a música Festa. Em seguida, as multidões que a seguiam no carnaval da Bahia, a acompanharam nas maratonas dos estádios brasileiros: primeiro o disco da MTV, na Fonte Nova (último gravado lá antes da demolição) e, logo depois, o DVD Ao Vivo no Maracanã, uma mega produção raramente vista no país. Uma pausa para o suspiro e para a gravidez e veio o singelo Pode Entrar, que entrou no mercado fonográfico superando, em definitivo, qualquer dúvida sobre a força de Ivete. Nesse ínterim, teve ainda o disco infantil gravado com o sempre razoável Saulo Fernandes. Com canções do nível e qualidade de Funk do Xixi, esse álbum é a flecha no calcanhar de qualquer Aquiles e merece cair nas graças da Inquisição.
A apresentação de ontem foi uma etapa importante da carreira de Ivete...da carreira dela aqui no Brasil. Com um nome consolidado e um espaço intocável, Ivete tem todo poder e legitimidade para continuar cantando Sorte Grande, Pererê e afins por todo país. Mas se de fato tem como pretensão ser um artista do mundo, já se viu que, com todo respeito e amor pelo carnaval baiano, ser somente Barra – Ondina ainda é muito pouco para qualquer Big Apple.
Marcadores:
Bahia,
cantoras pop americanas,
daniela,
diferente,
espetáculo,
feijão com arroz,
Ivete,
Madison,
mais do mesmo,
nova york,
Salvador,
Show
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
De Janeiro a Janeiro
Como se retoma a vida que se tinha outrora?
Como se continua a viver quando, lá no fundo do coração, se
começa a perceber que não se pode voltar atrás?
Que há coisas que o tempo não cura...
Como se continua a viver quando, lá no fundo do coração, se
começa a perceber que não se pode voltar atrás?
Que há coisas que o tempo não cura...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Em outro lugar ou aqui.
Olhando, com sensata timidez, os carros e as pessoas que lhe cumprimentavam, respondia sempre com aqueles murmúrios incompreensíveis. Tinha medo de todas elas. Nenhuma lhe tocava: pareciam todas limpas. Limpas em suas rotinas, em seus estudos, festejos. LIM-PAS - repetia devorando saborosamente cada sílaba. Aquilo era o seu ritual asséptico.
Andou em direção a beirada para ver o mar. Vinham todas, todas, todas, todas, lá de onde a vista não alcança. As ondas subiam, avançavam, arrebentavam-se na sua frente. E outra lá atrás emergia com mais voracidade, com sede violenta de lhe mostrar a vida. Arrebentava-se. E, de novo, nascia uma onda que somava-se a outra e, naquele galope branco de espumas e sal, rumava decidida contra ele. Vendo essa explosão inexplicável, esse oceano escapando para o abstrato e todo aquele e vir morrendo diante de seus olhos, entendeu porque deveria continuar. Era a vida e isso era tudo e nada mais.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
No lado esquerdo ou em outro lugar.
A vida era mesmo inexplicável, pensou. De repente, estava cercado por todas as angústias que cabiam no mundo. Seria a linha da loucura cortando-lhe a pele, fazendo o sangue cair do seu corpo gota por gota num sofrimento infinito?
Certamente sabia de suas dores, da incompreensão de todos em entendê-las. E, por isso, também sofria: pelos outros. Passava-lhe tudo que tinha acontecido e o que havia perdido. Para todas as mínimas coisas atravessadas no seu destino crescia a importância e, junto com ela, a fragorosa sensação de perda. "Eu perdi? Quem se atreve a dizer que não?".
Se não existia atrevimento, havia a certeza: sim, perdera. Todos os livros que leu, todos os clichês que escutou e todo o resto que nunca sucumbia com o raiar do sol mostrava-lhe um coro vazio, sem resposta, de que a vida deveria continuar. Era esse o limiar de sua loucura: caía tentando agarrar-se em qualquer coisa e só conseguia agarrar-se a si mesmo. Pensando nisso, era pavor o que sentia.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Festa da Boa Morte
Embora já esteja em Salvador desde o domingo, vivendo os ditames do mundo cão, somente ontem a Irmandade da Boa Morte encerrou os festejos em Cachoeira, no Recôncavo Baiano (é bom explicar, já que o blog é lido - MISTERIOSAMENTE - até por pessoas de Cascavel). Antes que fique velho demais falar sobre, antes mesmo que eu esqueça que algum dia pensei em fazer um comentário sobre a festa, olhei as fotos para me recordar dos bons momentos desse ano. A verdade é que, desde que conheci a Irmandade, Agosto nunca mais foi o mês do desgosto. Porque se antes eu perdia toda minha energia, todos os meus planos davam errado, inclua na lista, cancelar passagem para Oslo e levar calote por 4 meses, agora, ao menos, desperdiço meu dinheiro e tempo com o melhor licor que já tomei e com o melhor samba de roda que se pode sambar. É difícil mesmo apontar o que é mais legal: se sair de Salvador por uns dias, se ficar num camping que é num balneário de cachoeiras, se é percorrer aquelas ruas, com a redundância da expressão, históricas, tipo um imenso Pelourinho, se é a bebida, a maniçoba, o mistério da festa, a beleza daquelas senhoras, as companhias que a gente leva e arranja, etc. Enfim, essa empolgação toda, mesmo aos 45 do segundo tempo quando tudo parece acabado, define porque, algumas vezes, ser devoto de algo é saudável.
Tome-lhe Samba de Dona Dalva.
![]() |
| As companhias |
| O pôr do Sol na ponte imperial |
| A Irmandade |
| O Pelourão |
| Dona Dalva sambando |
![]() |
| Depois de uma reza |
| O Licor |
Marcadores:
2010,
Cachoeira,
Casa do Samba,
Dona Canô,
Dona Dalva,
Festa da Boa Morte,
festejos,
Licor,
Maniçoba,
Ponte de Cachoeira,
Recôncavo
Assinar:
Postagens (Atom)






