Hoje entreguei todos documentos que faltavam para o intercâmbio da UFBA. Bem, parece que me livrei de uma série de pesadelos. Resolvi arranjar emprego, convenci meus pais, consegui carta de recomendação, fiz cartas e cartas, imprimi documentos, gastei dinheiro, sofri horrores pra achar a sede da Polícia Federal, fiquei estressado, peguei inúmeras filas, xinguei, me irritei, quase desisti, mas, bem, passei por essa etapa. A conclusão que eu cheguei é que independente do resultado do processo, mereço e vou pra Europa em agosto. Semana que vem começo a procurar um seguro de saúde decente. Seguro de saúde decente implica em vantagens razoáveis a elevados preços.
Enquanto isso, estou convicto de que toda essa palhaçada burocrática não vai ser nadica de nada comparado a conseguir o visto. Nada mesmo.
O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
sexta-feira, 28 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
Conspiração II
“Onde fica a Polícia Federal?”, eis as respostas:
1) “Logo ali. Você vai em frente e vai ver um prédio enorme.”
2) “Segue reto até lá embaixo e lá você pergunta a alguém. Você vai andando, é?! Olha são dois quilômetros.”
3)“Não, nada disso, é aqui pertinho, é só você ir na direção contrária a essa que você está indo.”
4)“Fica em Água de Meninos, lá pro lado da feira de São Joaquim”
5)“Oxi, porque você está andando nessa direção? Tem que voltar tudo. É lá ó, lá ó, ta vendo?”
6)“É pra que? Passaporte? Ó, passaporte é logo ali, agora se for protocolo é lá embaixo”
7)“Não, não tem nada disso não! É tudo num lugar só agora. É tudo lá embaixo.”
8)“Você quer ir pra onde mesmo, hein? Vixe, pra lá?! Que horas?! Ah, não vai dar tempo não. Você tem que voltar tudo e pegar o ônibus lá, lá do outro lado da pista.”
9) “Oh, você tem que andar, andar e andar. Comece andando logo se você quiser chegar no horário. Ande, pode ir indo por aí.”
10) “Eu to achando melhor você voltar lá pro Mercado Modelo.”
11) “Ta vendo aquele prédio azul ali, do lado da Codeba?! É ali. Pode ir, que é ali”
12) “Eu sou guarda carro rapaz, tem é 20 anos de profissão. Quer ir na puliça, é? Aprontou o que? Eu num sei onde fica não. É melhor você ir ali na frente e perguntar aqueles outros dois caras ali, ó? HE-HE-HE”
13) “Você já foi lá no prédio azul? Já foi? E tá em greve, é? E agora?”
Pra completar a farra:
14)“Não, meu filho, o que você está procurando é tirar o passaporte, é? Ah, isso não é na Polícia não. Você tem que ir é no Ministério do Trabalho.
- Oi?
- É no Ministério do Trabalho, no Centro Administrativo, lá na Paralela”.
Eu juro que eu não aumentei um centímetro dessa situação bizarra que me aconteceu. Juro. Pelo contrário. O fato era que eu tinha 25 minutos para chegar num lugar. Se eu não chegasse a tempo, eu não conseguiria o passaporte, logo não teria os documentos para entregar na UFBA, logo não viajaria. Imaginem o meu desespero vendo aquelas pessoas dando informações completamente desconexas, contraditórias e sem noção, vendo o tempo passar e não chegando a lugar nenhum.
Até que eu perguntei a um policial a paisana (Veja bem, se ele não soubesse onde fica a sede da Polícia Federal, ninguém mais saberia) e ele me jurou de pé junto que era em Água de Meninos, que eu pegasse um ônibus ali e descesse dois pontos depois e atravessa as quatro pistas do comércio. Explicou-me também, que o tal prédio perto do Mercado Modelo era, na verdade a Receita Federal, por sinal em greve, e que era normal as pessoas confundirem passaporte com carteira de trabalho.
Bem, é melhor não contar quando cheguei à Polícia, basta saber que no final das contas eu consegui fazer o tal passaporte e que continuou acreditando que tudo que existe na vida não passa de um grande pretexto pra gente dar risada.
Conspirações I
Na agenda constava:
19 de março:
06:40 acordar
07:00 ir para a faculdade
08:30 Sair da Faculdade
09:00 Médico
10:30 Biblioteca Comunitária (Imbuí)
13:40 Polícia Federal
14:00 Jornal
Era para ser assim. Aí, você descobre que tem que ir ao banco antes de ir ao médico e conclui que não tem cara de pau suficiente para assistir apenas 30 minutos de uma aula de 4h, e você vai ao banco e descobre que títulos só podem ser pagos em caixas eletrônicos para quem tem conta corrente e que os caixas só abrem nove horas. Você vai para o médico acreditando, piamente, que será atendido no horário exato sem saber que levará um bolo de duas horas. Depois o médico pratica tentativas sutis de degeneração facial e utiliza você como cobaia. Você fica preocupado com o poeta que entrevistaria na biblioteca porque o coitado ainda não sabe, mas você já decidiu que voltará ao banco para pagar o documento e que talvez nunca mais volte a entrar em contato com ele. E você chega ao banco e enfrenta uma fila de uma hora e sai correndo para tentar chegar em casa. Assim que você coloca os pés no ponto você percebe que por 10 segundos, aqueles exatos 10 segundos que você gastou comentando sobre o tempo instável com o caixa do banco, fez você perder o ônibus. E, nessa hora, chegam dois pedintes enchendo a paciência porque estão com fome e ameaçando jogar lama se não contribuírem com o almoço deles. E você espera mais 30 minutos pelo próximo ônibus. E ainda espera mais 20 minutos, em pé claro, até chegar ao destino. Em sua casa, as coisas continuam como sempre e sua mãe amada faz um tratado sobre como não é necessário se estressar tanto (desconsiderando o fato dela viver estressada) e encerra a epopéia dizendo que o almoço vai atrasar e que não sabe por onde anda minha certidão de nascimento.
Ok, tudo o que eu tinha que fazer era chegar à sede da polícia federal em uma hora e meia, com todos os documentos, inclusive o tal boleto, e resolver minha vida. No dia anterior, tinha recebido a informação segura de que a sede da polícia federal ficava bem próximo do Mercado Modelo. Então, Gilvan pega um ônibus e desce no Mercado Modelo. Mas aí, o céu nublado resolve desabar só para criar um engarrafamento e, acreditem, até a rua onde eu moro há mais de oito anos, cujo trânsito é sempre livre no começo da tarde resolveu ficar congestionada. Faltavam ainda 25 minutos e eu já estava no referência enfrentando o barulho da região do Elevador Lacerda. Uma mulher me pára e pergunta: “Ta fazendo um sol danado pra você estar de óculos escuros, né seu minino?”, coisas que só se vê na Bahia. Respira fundo, pensa “vai dar tempo”, e comece a pedir as informações. Bem, aqui começa a segunda parte.
19 de março:
06:40 acordar
07:00 ir para a faculdade
08:30 Sair da Faculdade
09:00 Médico
10:30 Biblioteca Comunitária (Imbuí)
13:40 Polícia Federal
14:00 Jornal
Era para ser assim. Aí, você descobre que tem que ir ao banco antes de ir ao médico e conclui que não tem cara de pau suficiente para assistir apenas 30 minutos de uma aula de 4h, e você vai ao banco e descobre que títulos só podem ser pagos em caixas eletrônicos para quem tem conta corrente e que os caixas só abrem nove horas. Você vai para o médico acreditando, piamente, que será atendido no horário exato sem saber que levará um bolo de duas horas. Depois o médico pratica tentativas sutis de degeneração facial e utiliza você como cobaia. Você fica preocupado com o poeta que entrevistaria na biblioteca porque o coitado ainda não sabe, mas você já decidiu que voltará ao banco para pagar o documento e que talvez nunca mais volte a entrar em contato com ele. E você chega ao banco e enfrenta uma fila de uma hora e sai correndo para tentar chegar em casa. Assim que você coloca os pés no ponto você percebe que por 10 segundos, aqueles exatos 10 segundos que você gastou comentando sobre o tempo instável com o caixa do banco, fez você perder o ônibus. E, nessa hora, chegam dois pedintes enchendo a paciência porque estão com fome e ameaçando jogar lama se não contribuírem com o almoço deles. E você espera mais 30 minutos pelo próximo ônibus. E ainda espera mais 20 minutos, em pé claro, até chegar ao destino. Em sua casa, as coisas continuam como sempre e sua mãe amada faz um tratado sobre como não é necessário se estressar tanto (desconsiderando o fato dela viver estressada) e encerra a epopéia dizendo que o almoço vai atrasar e que não sabe por onde anda minha certidão de nascimento.
Ok, tudo o que eu tinha que fazer era chegar à sede da polícia federal em uma hora e meia, com todos os documentos, inclusive o tal boleto, e resolver minha vida. No dia anterior, tinha recebido a informação segura de que a sede da polícia federal ficava bem próximo do Mercado Modelo. Então, Gilvan pega um ônibus e desce no Mercado Modelo. Mas aí, o céu nublado resolve desabar só para criar um engarrafamento e, acreditem, até a rua onde eu moro há mais de oito anos, cujo trânsito é sempre livre no começo da tarde resolveu ficar congestionada. Faltavam ainda 25 minutos e eu já estava no referência enfrentando o barulho da região do Elevador Lacerda. Uma mulher me pára e pergunta: “Ta fazendo um sol danado pra você estar de óculos escuros, né seu minino?”, coisas que só se vê na Bahia. Respira fundo, pensa “vai dar tempo”, e comece a pedir as informações. Bem, aqui começa a segunda parte.
Conspirações I
Na agenda constava:
19 de março:
06:40 acordar
07:00 ir para a faculdade
08:30 Sair da Faculdade
09:00 Médico
10:30 Biblioteca Comunitária (Imbuí)
13:40 Polícia Federal
14:00 Jornal
Era para ser assim. Aí, você descobre que tem que ir ao banco antes de ir ao médico e conclui que não tem cara de pau suficiente para assistir apenas 30 minutos de uma aula de 4h, e você vai ao banco e descobre que títulos só podem ser pagos em caixas eletrônicos para quem tem conta corrente e que os caixas só abrem nove horas. Você vai para o médico acreditando, piamente, que será atendido no horário exato sem saber que levará um bolo de duas horas. Depois o médico pratica tentativas sutis de degeneração facial e utiliza você como cobaia. Você fica preocupado com o poeta que entrevistaria na biblioteca porque o coitado ainda não sabe, mas você já decidiu que voltará ao banco para pagar o documento e que talvez nunca mais volte a entrar em contato com ele. E você chega ao banco e enfrenta uma fila de uma hora e sai correndo para tentar chegar em casa. Assim que você coloca os pés no ponto você percebe que por 10 segundos, aqueles exatos 10 segundos que você gastou comentando sobre o tempo instável com o caixa do banco, fez você perder o ônibus. E, nessa hora, chegam dois pedintes enchendo a paciência porque estão com fome e ameaçando jogar lama se não contribuírem com o almoço deles. E você espera mais 30 minutos pelo próximo ônibus. E ainda espera mais 20 minutos, em pé claro, até chegar ao destino. Em sua casa, as coisas continuam como sempre e sua mãe amada faz um tratado sobre como não é necessário se estressar tanto (desconsiderando o fato dela viver estressada) e encerra a epopéia dizendo que o almoço vai atrasar e que não sabe por onde anda minha certidão de nascimento.
Ok, tudo o que eu tinha que fazer era chegar à sede da polícia federal em uma hora e meia, com todos os documentos, inclusive o tal boleto, e resolver minha vida. No dia anterior, tinha recebido a informação segura de que a sede da polícia federal ficava bem próximo do Mercado Modelo. Então, Gilvan pega um ônibus e desce no Mercado Modelo. Mas aí, o céu nublado resolve desabar só para criar um engarrafamento e, acreditem, até a rua onde eu moro há mais de oito anos, cujo trânsito é sempre livre no começo da tarde resolveu ficar congestionada. Faltavam ainda 25 minutos e eu já estava no referência enfrentando o barulho da região do Elevador Lacerda. Uma mulher me pára e pergunta: “Ta fazendo um sol danado pra você estar de óculos escuros, né seu minino?”, coisas que só se vê na Bahia. Respira fundo, pensa “vai dar tempo”, e comece a pedir as informações. Bem, aqui começa a segunda parte.
19 de março:
06:40 acordar
07:00 ir para a faculdade
08:30 Sair da Faculdade
09:00 Médico
10:30 Biblioteca Comunitária (Imbuí)
13:40 Polícia Federal
14:00 Jornal
Era para ser assim. Aí, você descobre que tem que ir ao banco antes de ir ao médico e conclui que não tem cara de pau suficiente para assistir apenas 30 minutos de uma aula de 4h, e você vai ao banco e descobre que títulos só podem ser pagos em caixas eletrônicos para quem tem conta corrente e que os caixas só abrem nove horas. Você vai para o médico acreditando, piamente, que será atendido no horário exato sem saber que levará um bolo de duas horas. Depois o médico pratica tentativas sutis de degeneração facial e utiliza você como cobaia. Você fica preocupado com o poeta que entrevistaria na biblioteca porque o coitado ainda não sabe, mas você já decidiu que voltará ao banco para pagar o documento e que talvez nunca mais volte a entrar em contato com ele. E você chega ao banco e enfrenta uma fila de uma hora e sai correndo para tentar chegar em casa. Assim que você coloca os pés no ponto você percebe que por 10 segundos, aqueles exatos 10 segundos que você gastou comentando sobre o tempo instável com o caixa do banco, fez você perder o ônibus. E, nessa hora, chegam dois pedintes enchendo a paciência porque estão com fome e ameaçando jogar lama se não contribuírem com o almoço deles. E você espera mais 30 minutos pelo próximo ônibus. E ainda espera mais 20 minutos, em pé claro, até chegar ao destino. Em sua casa, as coisas continuam como sempre e sua mãe amada faz um tratado sobre como não é necessário se estressar tanto (desconsiderando o fato dela viver estressada) e encerra a epopéia dizendo que o almoço vai atrasar e que não sabe por onde anda minha certidão de nascimento.
Ok, tudo o que eu tinha que fazer era chegar à sede da polícia federal em uma hora e meia, com todos os documentos, inclusive o tal boleto, e resolver minha vida. No dia anterior, tinha recebido a informação segura de que a sede da polícia federal ficava bem próximo do Mercado Modelo. Então, Gilvan pega um ônibus e desce no Mercado Modelo. Mas aí, o céu nublado resolve desabar só para criar um engarrafamento e, acreditem, até a rua onde eu moro há mais de oito anos, cujo trânsito é sempre livre no começo da tarde resolveu ficar congestionada. Faltavam ainda 25 minutos e eu já estava no referência enfrentando o barulho da região do Elevador Lacerda. Uma mulher me pára e pergunta: “Ta fazendo um sol danado pra você estar de óculos escuros, né seu minino?”, coisas que só se vê na Bahia. Respira fundo, pensa “vai dar tempo”, e comece a pedir as informações. Bem, aqui começa a segunda parte.
sexta-feira, 14 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008

Ontem foi um desses dias em que as coisas se juntaram para dar errado. Ou pelo menos, um desses dias em que você acha que tudo deu errado porque as coisas sempre têm quer dar errado e sempre tem que dar errado com você. Pra falar a verdade, todo esse drama de erros vem da dificuldade em confessar uma coisa terrível, imperdoável e assustadora. É que ontem foi um desses dias em que envelheci um pouco. E isso torna tudo tão perigoso.
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