O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
Há certas coisas na vida que nunca se encerram: o sussurro de uma canção de ninar, a casa que nos viu crescer, a fruta arrancada do pé e algum amor perdido nos rumos do vento.
Uma notícia dessas sempre pega com excessiva supresa a homofobia. Já imaginou Léo Kret nas telas de cinema e nas páginas de um livro? É ou não é pra fazer parte dessa gente desorientada torcer o nariz e achar que 2012 é agora? Sem entrar na seara política, mas é recorrente como, volta e meia nas entrelinhas do discurso sobre a vereadora, gente que se sente e se diz despojada de preconceitos diversos acaba incidindo nas velhas roupagens da opressão. Quer dizer, um intelectual que votou em Léo Kret só queria algazarra política. Ou seja, não pode. Agora um analfabeto que vota em Emiliano José, esse sim tem consciência política, não foi manobrado, etc e tal. Esse pode. Vai entender essa estranha democracia.
Vida de vereadora Léo Kret vira livro e filme
Do iBahia, por Camila Almeida
A dançarina e vereadora LeoKret do Brasil terá sua vida publicada e levada para as telas. O autor Binho Gomes está escrevendo um livro com rimas, poesias e frases de LéoKret e o cineasta argentino Carlos Pronzato produz um documentário sobre a vida dela da infância até a Câmara Municipal de Salvador.O lançamento do livro e do filme será esse ano em data ainda a ser definida.
Academia nunca esteve na lista das minhas predileções. Só que, favoritismos à parte, eu morro três vezes de imaginar que algum dia poderei acabar em cima de uma cama, imobilizado, dependendo de todos para fazer absolutamente tudo. Daí, pensando nos meus 22 anos de sonho, de sangue e de América do Sul, estou me dedicando a exercícios pesados diariamente. Acordo às cinco e meia, deixo a soneca rolar por uns 20 minutos e vou puxar ferros. Sabe, se eu disser que não faz parte dos meus princípios, que eu vou de má vontade, etc e tal, seria uma grande bobagem para fazer pose de sedentário intelectual. Malhar realmente me deixa bem. Fazer exercício, independente se algum dia terei o corpo todo trabalhado em músculos, me faz realmente bem. É só o corpo respondendo de maneira positiva a algo que eu mentalmente repetia como: ‘desnecessário, Preta, desnecessário’. E quer mais? Pouco me importa se o gordinho do lado ta morrendo com 2 minutos de bicicleta ou se o marombado-mão-no-saco já fez duas horas de esteira. Não preciso ampliar minha rede social. Enfim, agora aguardem o inverno para que eu sensualize na medina. Até lá, o serviço com o corpo nos bares, ruas, ensaios e academias, continua.
Deixei naquele mar uma vida. E a onda, que com tanta bravura e imperiosa necessidade apressou-se para os meus pés para tocar algum sentimento, fez nascer outra. Tudo aquilo que escondia os riscos, sumiu na areia sem jamais encontrar qualquer compensação.Foi assim que começou 2011: com a brisa do novo a fazer sussurros sem som em mim.