Só o que faz sentido.
O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
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domingo, 28 de outubro de 2012
terça-feira, 29 de março de 2011
Salvador 462 anos. Parabéns, cidade!
"Essa é a minha cidade e em todas as muitas cidades que andei, eu a revi num detalhe de beleza. Nenhuma assim, tão densa e oleosa. Nenhum assim, para viver. Nela quero morrer, quando chegar o dia. Para sentir a brisa que vem do mar, ouvir à noite os atabaques e as canções dos marinheiros. A cidade da Bahia, plantada sobre a montanha, penetrada no mar”
( Jorge Amado – Bahia de Todos os Santos.)
terça-feira, 1 de março de 2011
Com dinheiro ou sem dinheiro, eu me viro em Fevereiro.
Fevereiro acabou ontem e foi a maior loucura do mundo. Estou há meses sem postar nada por falta de tempo, excesso de preguiça e, principalmente, pelos ensaios de verão. Cortejo afro, Harmonia, Sarau du Brown, Psirico, Ilê, Muzenza, Gerônimo, Margareth, Daniela, Timbalada, Baile dos Mascarados...perdi as contas de tantas festas. Vivi a maior paixão de verão, fiz amigos para vida toda, disse adeus pra quem queria ou precisava partir e me soltei no vento.
Sei que em tese o verão começou em novembro, mas o meu, na prática, não acabou desde o ano passado. Foi muito lindo esse momento todo e sei que quando passar o furacão sentirei saudades. Vai mudar tudo e definitivamente fecharei um ciclo da minha vida. Suspiros bem leves. Mas pra não chegar melancolia, até quarta-feira de cinzas, meu nome é CARNAVAL. Se prepara, Salvador.
PS: Queria ter escrito um roteiro dos Ensaios pra quem não conhece. Mas o ritmo estava mesmo acelerado.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Também é saudade
Há certas coisas na vida que nunca se encerram: o sussurro de uma canção de ninar, a casa que nos viu crescer, a fruta arrancada do pé e algum amor perdido nos rumos do vento.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Um abraço negro
Gostei dessa foto. A ideia era flagrar o velhinho dormindo enquanto metade dos presentes denunciavam as mazelas das comunidades quilombolas. Daí, ficou algo meio bob marley, meio mãe estela, meio che guevara. A vida real e de viés.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Virá que eu vi
Caetano é uma das coisas mais estupendas que esse recôncavo poderia inventar. Dois dias seguidos assim me deixaram mal acostumado.Até Santo Amaro.
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Tá pensando que é bagunça?
Caetano Veloso por Anita Malfati. Eu sei essa mistura está mais pra Festival de Verão Salvador (Mistura Aê!) do que para a antropofagia cultural do Modernimo Brasileiro. É o vale-tudo pós-moderno.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Elegante e sofisticado
Cortejo Afro ontem, dia 27, fez o céu mudar de cor. Teve caruru, teve samba-reggae, gente cheia de leveza e uma alegria improvável para qualquer segunda-feira. Não me ajudou a tomar decisão alguma, mas lavou a alma e deixou todo mundo com um gosto ávido de verão na boca. Vivo na cidade mais barroca do mundo, tiroteio&confusão são estados de espírito permanentes.
O Cortejo volta para Teca Batista em novembro.
|Foto: A bateria que faz qualquer um sentir o coração de Salvador|
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Tereza Batista
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Equinócio
O mar esmeralda da Baía e os versos de uma canção quase esquecida na memória, ensina que a vida da gente é assim mesmo: vai e volta, volta e meia, vem e vai. Como a primavera que hoje nos chega, há sempre um cheiro de começo. E é para isso que me rendo. Todos os dias e todas as noites, num jogo ímpar de igualdade.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
É mais feliz quem menos trabalhou e mais dinheiro ganhou
O Ministério Público da União lançou edital em que disponibiliza 2 vagas para jornalista, sem provas de título, com salário de R$6.500 inicial. Tentador é termo phyno. Acho uma verdadeira bobagem todo este discurso que tenta assegurar, a qualquer preço, a mediocridade de exercer um cargo público. Primeiro porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser servidor e ser um zero a esquerda. Segundo porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser funcionário de uma empresa particular e ser competente – o que não falta num país clientelista é o fator Quem Indica. E terceiro porque, a gente até pode entender seja medíocre se contentar com uma estabilidade duradoura e com um salário, para os padrões brasileiros de vida e de consumo, bom, mas que é muito, muito pior, e consideravelmente assustador e pouco inteligente se contentar com as disputas de mercado, competitividade promoções estilo empregador-querendo-colocar-trabalhador-no-bolso durante uma vida inteira e depois ser mandado embora com uma mão na frente e, nem sempre, com uma mão atrás. Sem recursos para as sessões de terapia, remédios antidepressivos ou para algum uísque falsificado no botequim.
Essas segmentações de prols e contras do público e privado não dilui, entretanto, a sensação de que se inscrever num concurso público é como estar entrando num abatedouro. Num abatedouro em que você não será aquele que vai consumir, mas o que será consumido. Quer dizer, você até pode ter cabeças diversificadas, de tamanhos, formas e complexidades diferentes, mas, no final das contas, um milhão delas rolam pelo chão e duas mantém-se no pescoço. E no mundo cão ninguém precisa de muita esperteza pra saber que aposentadoria por invalidez e lesão por esforço repetitivo são amigas íntimas da guilhotina.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
A Cidade da Bahia
Embora meu tempo nesse lugar tenha se esgostado, é aqui que guardo mistérios, alegrias e descompassos. E nesse meu olhar há somente deslumbramento e um pouco de paixão. Bati essas fotos num dia de cansaço.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Há conserto.
Bem, a vida declarou para mim que não nasci com o intuito de ser de utilidade pública. Em contrapartida, declarei para ela que concessões são aqueles interlúdios necessários à nossa pouca sobrevivência e alegria. E, um mês depois do último post, quando até eu mesmo pensei “meu deus, abandonaram meu blog”, volto para aquele espírito solidário tipicamente natalino, embora estejamos às vésperas do São João e da Copa Fail do Mundo. Minha máquina digital, uma velha Sony Batista cansada de guerra, parou de funcionar. Saí procurando por todos os becos, ruas e avenidas, lojinhas que pudessem consertá-la por um preço que coubesse no meu orçamento – essa informação é só para salientar que não procurei o serviço técnico autorizado. Depois da odisséia da peregrinação, sob o sol de inverno da cidade, tipo 40 graus, encontrei quatro que me pareceram bem legais, seguras e acessíveis financeiramente aos que sobrevivem com o bolsa mesada. Não lembro o nome de nenhuma (gzuz, amnésia não alcoólica chegando com força aos 21), mas sei o endereço. Aqui:
1) No Max Center (ou Pituba Center, são gêmeos siameses), ali no Itaigara. É no segundo andar.
2) No Edifício Porto Fino, em frente ao Hotel da Bahia. Tem uma galeria que é a cara da imundice. O rapaz que atende costuma se atrasar depois do almoço, mas, dizem, é a simpatia e a eficiência (pena que não resisti ao chá de cadeira e passei pra próxima).
3) Avenida Sete, Edifício Marques de Abrantes, também no segundo andar. Flash Maq. O serviço, que inclui recepcionistas felizes, orçamento rápido, conserto imediato, compensa as informações desencontradas pra encontrar a loja.
4) Subida da Rua Chile. Logo ali na curva. É pequenininha, mas ta no centro de Salvador há uns 1000 anos.
Fiz o orçamento na do Max Center e na Flash Maq. O resultado foi 130 reais nas duas e optei pela segunda, que, além de tudo, entrega o produto em casa. Sem nenhum custo, crianças.
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Salve, Salvador
Salvador completa 461 anos nessa segunda-feira, dia 29 de março. Embora a data simbolize o marco fundador da cidade, a presença do colonizador português com pequenos núcleos de povoamento remonta há pelo menos 40 antes da chegada de T
omé de Souza, em 1549. Eduardo Bueno nos informa que a Vila do Pereira, atual Porto da Barra, ainda que completamente assombrada pelos ataques assíduos das tribos, se estabelecia com as características necessárias para o início da colonização, especialmente, por demarcar território. A própria ligação de Caramuru com os nativos (Leia-se o sexo profana com Catarina Paraguaçu, atualmente enterrada naquela Igreja caríssima da Graça) - dá conta de que essa relação, quase sempre conflituosa, entre índios e portugueses deveria se aprofundar nos anos subseqüentes. O que de fato foi confirmado pela cruz e pela espada.É sabido que a escolha de Salvador como primeira sede do governo geral teve como fator decisivo a sua excelente posição geográfica (cidade litorânea, mais próxima de Lisboa, mais ou menos no centro do que até então se conhecia do território Sul Americano) e pela sua formação espacial (uma imensa Baía, d
escoberta ou encontrada por Américo Vespúcio, em 2 de novembro, Dia de Todos os Santos, daí o nome, combinada com uma falha no relevo garantindo boa visibilidade do território e deixando o colonizador em posição vantajosa numa eventual guerra). Nessa capitania, as terras férteis, aptas a constituir e sustentar a civilização do açúcar, bem como a proximidade da rica biodiversidade da Mata Atlântica, asseguraram um rápido e devastador processo de exploração. Como bem salientou, Sérgio Buarque de Holanda, Portugal veio atrás de riqueza que custa ousadia, não da riqueza que custa trabalho.
Precisamente por esse espírito aventureiro, pelo desprendimento de atravessar o Atlântico numa viagem infernal para enfrentar a hostilidade de uma colônia sem nada, pela possibilidade vaga de enriquecimento,
é que tento compreender Salvador. Tento também compreender a Salvador de hoje a partir do significado da chegada do povo africano, posto que a negritude foi a força de trabalho que construiu pedra por pedra, literalmente, todos os cantos e recantos da cidade. Foi quem fincou em Salvador a sua religiosidade, os mistérios e a beleza do candomblé, a musicalidade, a festividade, mas, sobretudo, esse espírito de rebeldia, de irreverência e de resistência.
Entender esses laços nos fornece condições de perceber as inter-relações cotidianas daqui. Está espalhado nos pequenos cenários urbanos, nos diálogos, no remelexo, na malemolência, na ironia, no debochar de tudo e de si mesmo, na celebração, nas desgraças, no sagrado e no profano, nesse espírito barroco que pinta de contraste a cidade. Uma cidade que, como nenhuma outra, encarna uma relação profunda com o corpo, com a sexualização do sujeito, com a vaidade e com novas possibilidades estéticas. É a cidade das 365 igrejas e dos 5000 mil terreiros, da maioria negra e dos bolsões
de miséria, da percussão vibrante e dos mortos da chacina de Pero Vaz, das festas de largo, dos preconceitos naturalizados e da sensação de que tudo é absolutamente possível, da chacota, das paisagens absurdas e da falta de educação dos motoristas. A Bahia do furtar e do fuder. A cidade do carnaval eterno: tem festa, tem preto, tem branco, tem corda, tem música, tem baiana, tem candomblé, tem gente, tem álcool, tem polícia, tem violência, tem sangue, tem tiro, tem trio e tem outras tantas coisas que a tornam, se não absolutamente encantadora, pelo menos, inexplicável. Parabéns, Cidade da Bahia!
escoberta ou encontrada por Américo Vespúcio, em 2 de novembro, Dia de Todos os Santos, daí o nome, combinada com uma falha no relevo garantindo boa visibilidade do território e deixando o colonizador em posição vantajosa numa eventual guerra). Nessa capitania, as terras férteis, aptas a constituir e sustentar a civilização do açúcar, bem como a proximidade da rica biodiversidade da Mata Atlântica, asseguraram um rápido e devastador processo de exploração. Como bem salientou, Sérgio Buarque de Holanda, Portugal veio atrás de riqueza que custa ousadia, não da riqueza que custa trabalho.Precisamente por esse espírito aventureiro, pelo desprendimento de atravessar o Atlântico numa viagem infernal para enfrentar a hostilidade de uma colônia sem nada, pela possibilidade vaga de enriquecimento,
é que tento compreender Salvador. Tento também compreender a Salvador de hoje a partir do significado da chegada do povo africano, posto que a negritude foi a força de trabalho que construiu pedra por pedra, literalmente, todos os cantos e recantos da cidade. Foi quem fincou em Salvador a sua religiosidade, os mistérios e a beleza do candomblé, a musicalidade, a festividade, mas, sobretudo, esse espírito de rebeldia, de irreverência e de resistência.Entender esses laços nos fornece condições de perceber as inter-relações cotidianas daqui. Está espalhado nos pequenos cenários urbanos, nos diálogos, no remelexo, na malemolência, na ironia, no debochar de tudo e de si mesmo, na celebração, nas desgraças, no sagrado e no profano, nesse espírito barroco que pinta de contraste a cidade. Uma cidade que, como nenhuma outra, encarna uma relação profunda com o corpo, com a sexualização do sujeito, com a vaidade e com novas possibilidades estéticas. É a cidade das 365 igrejas e dos 5000 mil terreiros, da maioria negra e dos bolsões
de miséria, da percussão vibrante e dos mortos da chacina de Pero Vaz, das festas de largo, dos preconceitos naturalizados e da sensação de que tudo é absolutamente possível, da chacota, das paisagens absurdas e da falta de educação dos motoristas. A Bahia do furtar e do fuder. A cidade do carnaval eterno: tem festa, tem preto, tem branco, tem corda, tem música, tem baiana, tem candomblé, tem gente, tem álcool, tem polícia, tem violência, tem sangue, tem tiro, tem trio e tem outras tantas coisas que a tornam, se não absolutamente encantadora, pelo menos, inexplicável. Parabéns, Cidade da Bahia!
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Espetáculo

Boaventura de Souza Santos, o maior intelectual vivo do mundo, vem pra Salvador. Eu quase choro de emoção e tudo que 99% das pessoas conseguem me dizer é: "sim, mas você vai pra Beyoncé, né?". Faça-me uma garapa.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
É hora de partir
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primeiro dia do mês
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Amor, Festa e Devoção
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