quarta-feira, 14 de julho de 2010

É mais feliz quem menos trabalhou e mais dinheiro ganhou


O Ministério Público da União lançou edital em que disponibiliza 2 vagas para jornalista, sem provas de título, com salário de R$6.500 inicial. Tentador é termo phyno.  Acho uma verdadeira bobagem todo este discurso que tenta assegurar, a qualquer preço, a mediocridade de exercer um cargo público. Primeiro porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser servidor e ser um zero a esquerda. Segundo porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser funcionário de uma empresa particular e ser competente – o que não falta num país clientelista é o fator Quem Indica. E terceiro porque, a gente até pode entender seja medíocre se contentar com uma estabilidade duradoura e com um salário, para os padrões brasileiros de vida e de consumo, bom, mas que é muito, muito pior, e consideravelmente assustador e pouco inteligente se contentar com as disputas de mercado, competitividade  promoções estilo empregador-querendo-colocar-trabalhador-no-bolso durante uma vida inteira e depois ser mandado embora com uma mão na frente e, nem sempre, com uma mão atrás. Sem recursos para as sessões de terapia, remédios antidepressivos ou para algum uísque falsificado no botequim.

Essas segmentações de prols e contras do público e privado não dilui, entretanto,  a sensação de que se inscrever num concurso público é como estar entrando num abatedouro. Num abatedouro em que você não será aquele que vai consumir, mas o que será consumido. Quer dizer, você até pode ter cabeças diversificadas, de tamanhos, formas e complexidades diferentes, mas, no final das contas, um milhão delas rolam pelo chão e duas mantém-se no pescoço. E no mundo cão ninguém precisa de muita esperteza pra saber que aposentadoria por invalidez e lesão por esforço repetitivo são amigas íntimas da guilhotina.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Feliz Ano Novo de Novo

Pelos 22 anos completados em 4 de julho e pelo diploma (sem validade pelo STF) de Jornalista. Tô pra pista.   

sexta-feira, 18 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vai quer não é nada disso.


De repente, uma alegria injustificável invadiu-lhe a face. Satisfazia-se numa explosão de contentamento que ninguém, no mundo inteiro, poderia entender. Era um sorriso capaz de derrubar as mais robustas muralhas e de atropelar o sentimento mais inflexível. Aquilo possivelmente era o gozo da vida. Somente isso poderia deixar o seu corpo inteiro a deriva num oceano de ar. Que direitos poderia ter de sentir-se assim? Não naquela cidade, não naquele cotidiano. Não com o pesar da perda, com a firme convicção de que fora derrotado. Perdera uma parte de si. A perda crua sempre foi para ele uma questão particular. Nunca poderia perder para alguém. Ainda que alguém lhe infligisse uma derrota fragorosa, essa derrota só poderia ser sua e nunca, absolutamente nunca, do outro. Então, por que sorria? Por que diabos aquela alegria surpreendente se atrevia a romper com o silêncio velado da perda?

A única resposta que via diante dos pequenos olhinhos molhados pela felicidade desesperadora era a necessidade de negar o mundo. Sim, tratava-se de negar o mundo. Era daí que brotava a alegria e aquele sorriso débil e meio cínico. Negava a cidade, negava o cotidiano, os amigos, o trabalho, negava os livros, os seus escritos e as suas dores. E a completude da negação, aquele ímpeto mordaz, avassalador e feliz era mais do que a negação do mundo: era a negação de si mesmo. Porque existir naquele instante era tão somente isso: negar-se.

A Cidade da Bahia

Embora meu tempo nesse lugar tenha se esgostado, é aqui que guardo mistérios, alegrias e  descompassos. E nesse meu olhar há somente deslumbramento e um pouco de paixão. Bati essas fotos num dia de cansaço.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A lagarta rasteja até o dia em que cria asas

Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quando se esgotou naquela discussão sem fundamentos, percebeu apavorado que sua vida pouco se desprendera de si. Não havia entregado-a para quase ninguém. Era essa sensação de estar em si, de não ter se espalhado, deixado e recebido pedaços e sentimentos, que o deixavam na solidão. Buscando algum contentamento, alguma vontade apaziguadora, pensou: “Para uma ou duas pessoas existo. Sim, existo”. Não tardou para que fosse acometido pelo drama de estar envolvido por pessoas sem tê-las e sem que elas também o tivessem. O resultado era nada. Olhou para o mar e se deixou ali. Entrou na sublime existência da vida.

Há conserto.


Bem, a vida declarou para mim que não nasci com o intuito de ser de utilidade pública. Em contrapartida, declarei para ela que concessões são aqueles interlúdios necessários à nossa pouca sobrevivência e alegria. E, um mês depois do último post, quando até eu mesmo pensei “meu deus, abandonaram meu blog”, volto para aquele espírito solidário tipicamente natalino, embora estejamos às vésperas do São João e da Copa Fail do Mundo. Minha máquina digital, uma velha Sony Batista cansada de guerra, parou de funcionar. Saí procurando por todos os becos, ruas e avenidas, lojinhas que pudessem consertá-la por um preço que coubesse no meu orçamento – essa informação é só para salientar que não procurei o serviço técnico autorizado. Depois da odisséia da peregrinação, sob o sol de inverno da cidade, tipo 40 graus, encontrei quatro que me pareceram bem legais, seguras e acessíveis financeiramente aos que sobrevivem com o bolsa mesada. Não lembro o nome de nenhuma (gzuz, amnésia não alcoólica chegando com força aos 21), mas sei o endereço. Aqui:

1) No Max Center (ou Pituba Center, são gêmeos siameses), ali no Itaigara. É no segundo andar.

2) No Edifício Porto Fino, em frente ao Hotel da Bahia. Tem uma galeria que é a cara da imundice. O rapaz que atende costuma se atrasar depois do almoço, mas, dizem, é a simpatia e a eficiência (pena que não resisti ao chá de cadeira e passei pra próxima).

3) Avenida Sete, Edifício Marques de Abrantes, também no segundo andar. Flash Maq. O serviço, que inclui recepcionistas felizes, orçamento rápido, conserto imediato, compensa as informações desencontradas pra encontrar a loja.

4) Subida da Rua Chile. Logo ali na curva. É pequenininha, mas ta no centro de Salvador há uns 1000 anos.

Fiz o orçamento na do Max Center e na Flash Maq. O resultado foi 130 reais nas duas e optei pela segunda, que, além de tudo, entrega o produto em casa. Sem nenhum custo, crianças.