O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
Da montanha
E assim, quando o vento passou e levou tudo o que existia, a nuvem de poeira descortinou diante dos olhos a visão encantadora do que ninguém mais poderia ver: o mundo inteiro brilhando num suspiro de infinito.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Nos Caracoles
Toda a vida parece traduzida nessa estrada : ainda que dê muitas voltas em torno de um imenso precipício, que faça prender a respiração a cada curva e que levante um pouco da poeira, nos consternando com um cenário tão grandioso, distante e, ao mesmo tempo, tão íntimo, a estrada, a estrada...só segue.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Sagrado
No silêncio, escutou o canto mais bonito. Eram rimas de profundo amor, eram versos sobre aquilo que é mais importante em toda a existência: o nada. Naquele instante foi deslizando-se para o ar, desfazendo-se em vento. E todo seu corpo sentia essa liberdade, esse estranho regozijo que para alguns é crença, e para outros não pode ser mais do que o instante célebre da larga caminhada.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Da volta
Tantas coisas eu tenho a contar que coloco tudo num pedacinho de mar. Que é pra deixar assim mesmo à deriva e ver tudo partir pra alguma paragem distante a procura de um abraço, de uma grama verde, de uma montanha silenciosa, de um rio pedregoso, de uma acerola colhida do pé pelo vento. Um dia eu também parto para esse lugar, a reencontrar-me com tudo o que foi e que segue, a reencontra-me com o todo sem começo e sem fim.
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
Em Sudamérica
Eu sei que ficar postando fotos em blog parece 2003, época de fotolog, de imagens horrorosas e comentários que 8 anos mais tarde nao podem ser outra coisa senao ironia fina. Mas vou compensar a falta de tempo com algum post diário. Aproveitando esse mês que nao acaba nunca e mudo logo. Essa é a Torre de Livros. Eu achei incrível toda a intervençao artística de todos os lados, de baixo pra cima, de cima pra baixo, passando frio na fila. Mesmo sem ser profissional, a camera fotográfica ajudou a captar essas fotos que eu gostei muito. Ficam só algumas pra nao encher a paciência com o mais do mesmo. A artista é Marta Minujín. Super louca, descolada e deveras cativante - e me lembra sempre Kill Bill.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A lagarta rasteja até o dia em que cria asas
Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar
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