quarta-feira, 14 de julho de 2010

É mais feliz quem menos trabalhou e mais dinheiro ganhou


O Ministério Público da União lançou edital em que disponibiliza 2 vagas para jornalista, sem provas de título, com salário de R$6.500 inicial. Tentador é termo phyno.  Acho uma verdadeira bobagem todo este discurso que tenta assegurar, a qualquer preço, a mediocridade de exercer um cargo público. Primeiro porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser servidor e ser um zero a esquerda. Segundo porque evidentemente não há nenhuma relação entre ser funcionário de uma empresa particular e ser competente – o que não falta num país clientelista é o fator Quem Indica. E terceiro porque, a gente até pode entender seja medíocre se contentar com uma estabilidade duradoura e com um salário, para os padrões brasileiros de vida e de consumo, bom, mas que é muito, muito pior, e consideravelmente assustador e pouco inteligente se contentar com as disputas de mercado, competitividade  promoções estilo empregador-querendo-colocar-trabalhador-no-bolso durante uma vida inteira e depois ser mandado embora com uma mão na frente e, nem sempre, com uma mão atrás. Sem recursos para as sessões de terapia, remédios antidepressivos ou para algum uísque falsificado no botequim.

Essas segmentações de prols e contras do público e privado não dilui, entretanto,  a sensação de que se inscrever num concurso público é como estar entrando num abatedouro. Num abatedouro em que você não será aquele que vai consumir, mas o que será consumido. Quer dizer, você até pode ter cabeças diversificadas, de tamanhos, formas e complexidades diferentes, mas, no final das contas, um milhão delas rolam pelo chão e duas mantém-se no pescoço. E no mundo cão ninguém precisa de muita esperteza pra saber que aposentadoria por invalidez e lesão por esforço repetitivo são amigas íntimas da guilhotina.

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