Quando se esgotou naquela discussão sem fundamentos, percebeu apavorado que sua vida pouco se desprendera de si. Não havia entregado-a para quase ninguém. Era essa sensação de estar em si, de não ter se espalhado, deixado e recebido pedaços e sentimentos, que o deixavam na solidão. Buscando algum contentamento, alguma vontade apaziguadora, pensou: “Para uma ou duas pessoas existo. Sim, existo”. Não tardou para que fosse acometido pelo drama de estar envolvido por pessoas sem tê-las e sem que elas também o tivessem. O resultado era nada. Olhou para o mar e se deixou ali. Entrou na sublime existência da vida.

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