O Axé dando a real da eleição.
O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Eleições 2014
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
O cheiro que tinha um dia o próprio vento
Mas no todo ha de ser ruina y vacío
No todo desescombro ni deshielo
Encima de este hombro llevo el cielo
Y encima de este otro, un acho río
Blas de Otero
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios
Manoel de Barros
domingo, 28 de outubro de 2012
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Da montanha
E assim, quando o vento passou e levou tudo o que existia, a nuvem de poeira descortinou diante dos olhos a visão encantadora do que ninguém mais poderia ver: o mundo inteiro brilhando num suspiro de infinito.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Parede
Eu quero um livro que não tenha nada escrito. Um texto que eu possa olhar e só contemplar a brancura do papel. Que não tenha absolutamente nada a ser lido, entendido e pensado. Esse livro tem que ser como um espelho de tudo. Para que quando eu olhe, imagine a história que está ali escondida e que não a acho. Para que crie os personagens e os veja transitando de folha em folha até o derradeiro final, que não poderá ser mais do que um começo invertido. Esse livro poderá mostrar-me a aspereza da vida e a crueldade de alguns verdugos. Mas é justamente na sua face mais reflexiva, na superfície mais escancarada que eu quero descobrir a relevância de tudo isso que agora está aqui fora: a relevância do nada.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Nos Caracoles
Toda a vida parece traduzida nessa estrada : ainda que dê muitas voltas em torno de um imenso precipício, que faça prender a respiração a cada curva e que levante um pouco da poeira, nos consternando com um cenário tão grandioso, distante e, ao mesmo tempo, tão íntimo, a estrada, a estrada...só segue.
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