O Axé dando a real da eleição.
O primeiro atingiu a pálpebra esquerda, trazendo-lhe o desconforto de estar no mundo. O outro caiu vertiginosamente contra a estrada que seguia. Vendo-o se transformar em nada, se desfazendo diante daquilo que poderia ser a imensidão, sentiu o infortúnio de rasgar-se em vida. E agora que existia, poderia contar algumas histórias
Mostrando postagens com marcador dilma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dilma. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Eleições 2014
Marcadores:
aecio,
axe,
charge,
claudia leitte,
daniela mercury,
debate,
dilma,
eduardo jorge,
eleicoes,
eleicoes 2014,
Ivete,
luciana,
marina
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Mais do Mesmo 2: o debate que ninguém acredita
O primeiro encontro dos presidenciáveis ontem, quinta-feira, na Band, pintou a nossa televisão de cores mornas, enchendo de sono corações e mentes. O que poderia marcar uma nova etapa nas discussões políticas, com a ausência de Lula, presente em todos os debates na recente democracia brasileira, não tardou em mostrar carências de ideias, falta de efervescência nas críticas e alguma razão minimamente convincente que nos faça, no dia 3 de outubro, não apertar 00 e confirmar.
Não se trata de apostar que os outros debates tenham sido melhores, mais profundos e enérgicos. A questão é que, nesse momento em que tudo aponta para a descrença das instituições, para a falência de um paradigma em que já não se cria e já não se confia, esperar dos candidatos razões novas e sede de transformação radical do que aí está seria, no mínimo, uma forma de compensação ao eleitorado – tanto o que assistiu ao debate quanto àquele mais esperto, que dormiu. Ouvir que a saúde e a educação precisam ser melhoradas porque são os pilares capazes de....zzzZZZ, nós já sabemos. Ouvir que segurança pública não se resolve somente como policiais armados, bala e ocupação de favela, mas com educação...zzzzZZZZ, nós também já sabemos – embora nunca entendamos porque as políticas de segurança pública sempre estão dissociadas das políticas de educação e continuam assumindo como prática que jovem negro da periferia bom é jovem negro da periferia morto. Aceitamos impassíveis essa conversinha mole quando elas partem dos incontáveis candidatos a deputado estadual ou federal – quando a maioria deles, desempregados a procura de um dinheiro fácil, acham conveniente e de bom tom falar em termos simplistas sobre esses temas de apelo social. Mas, se temos a pretensão de contrariar Charles de Gaulle, e ser uma nação séria, não podemos engolir isso das pessoas que querem administrar a nossa soberania.
Enquanto isso, no auditório em São Paulo , vimos a candidata do governo se apoiar inseguramente nos feitos da sua gestão. Dilma-gaga parecia ter uma ânsia desesperada de mostrar resultados em todos os âmbitos, esquecendo-se de que não estava ali como mera prestadora de contas. Acontece é que, num governo tão cheio de contradições, com articulações tão amplas entre deus e o diabo, é comprometedor tentar abraçar tudo com conhecimento de causa. É um tiro no pé. E Dilma saiu mancando. Do outro lado, um José Serra tímido, contido, feito de uma resignação que coaduna com a necessidade velada também de se proteger do desastre que representou a Era F.H.C, da qual foi um árduo defensor. O PSDB ‘evoluído’, quase paz e amor, não é amadurecimento, mas sim a conseqüência de um partido moralmente degenerado, incapaz de ecoar os anseios populares e tratando o Brasil como se fosse aquilo que não é São Paulo – o resto.
Plínio é tendência. Só no Twitter, claro.
Acompanhei a repercussão do debate pelo twitter. O maior sucesso por lá foi a participação de Plínio de Arruda Sampaio. Com uma longa trajetória de luta nos movimentos sociais, ele foi o bobo da corte da noite. Um bobo da corte que fazia graça, evidentemente, pela ingenuidade feroz. Era o candidato necessário para desestabilizar a troca de afagos e de eu-fiz-e-vou-fazer-muito-mais dos demais presentes. Embora tenha feito a graça pelo dissenso, do ponto de vista do projeto político que Plínio representa – a esquerda dita socialista – sua intervenção foi um fracasso sem precedentes. E mais do que isso, causou tanta surpresa que as roupas brancas da executiva do PSOL devem ter enrubescido. O Plínio que eu conhecia, muitas vezes ao vivo, era um senhor de muitas ideias, de análises próximas da realidade, dos problemas da sociedade brasileira, alguém lúcido que lembrava os tempos mais áureos do pensamento comunista no país. Ontem, deu até vergonha. Mal conseguindo completar uma frase com sentido, repetindo de forma sistemática o feijão com arroz da esquerda de boteco meio-intelecutal, meio de esquerda, Plínio parecia desorientado até mesmo na hora de fazer as críticas e reflexões sobre o cenário de disputa política no país. O tom jocoso não raramente incidia sobre piadas desnecessárias e, por vezes, machistas – quando da vez em que, respondendo a Marina Silva, evocou o personagem Poliana, da ‘mulherzinha ingênua’.
Surpresa boa mesmo foi ouvir Mariana – quando ela falou, claro. Nunca votei e não votarei em Marina Silva. O fato de ser evangélica e carregar uma série de preceitos arcaicos, como a questão do aborto, do casamento gay, etc, é um obstáculo do qual não tenho condições de superar. Marina também foi a ministra que sucumbiu diante dos transgênicos, da lei de biossegurança, da transposição do São Francisco. Acreditou nesse governo até o último segundo até abandoná-lo em nome do carreirismo ou, se preferir, do oportunismo político deslavado. Vendo-a no debate embolar suas ideias com a de Dilma, está claro que Marina representa o continuísmo, mas o continuísmo que pauta suas propostas em práticas mais humanizadas.
Embora tenha todas essas reservas, o meu olhar sobre a sua fala ontem mostrou uma mulher, acima de tudo, lúcida, que não está perdida no meio dessa escuridão. Uma mulher de ideias claras, de postura firme e que parece carregar nas costas o peso de uma derrota anunciada, mas nem por isso menos significativa. Marina é a candidata que vai perder travando o bom combate. E, num país em que a derrota povoa o imaginário das nossas piores desgraças e temores, alguém ter orgulho dela a ponto de sair de cabeça em pé, com dignidade, é, no mínimo, uma qualidade louvável. Não é a toa que, mesmo em desvantagem, acredito que saiu vitoriosa do debate.
O fim da gestão de Lula nos deixou – e ontem foi um dia exemplar – com a aparente ilusão de que não há mais quadros políticos à altura, que saibam dosar carisma, competência, originalidade e capacidade de provocar reações diversas para além da monotonia. Desse engano, nós não padeceremos. Quadros existem. Gente quer criar coisas novas, quem tem sede disso, está espalhada pelos cantos brasileiros que, infelizmente, não são tão cantados assim pelas tv's, rádios e altas esferas. O que nos falta é entusiasmo e fôlegos para achá-los, para vê-los. E, embora sempre seja possível a opção do off ou do mute a quem vê e escuta, com tão poucas referências dormimos e acordamos com a melancólica sensação de que toda essa estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos.
Bom dia, sexta-feira.
Marcadores:
debate na band,
dilma,
discussões,
ideias,
mais do mesmo,
marina,
plínio,
serra
Assinar:
Postagens (Atom)

