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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Da montanha


E assim, quando o vento passou e levou tudo o que existia, a nuvem de poeira descortinou diante dos olhos a visão encantadora do que ninguém mais poderia ver: o mundo inteiro brilhando num suspiro de infinito.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Parede


Eu quero um livro que não tenha nada escrito. Um texto que eu possa olhar e só contemplar a brancura do papel. Que não tenha absolutamente nada a ser lido, entendido e pensado.  Esse livro tem que ser como um espelho de tudo.  Para que quando eu olhe, imagine a história que está ali escondida e que não a acho. Para que crie os personagens e os veja transitando de folha em folha até o derradeiro final, que não poderá ser mais do que um começo invertido. Esse livro poderá mostrar-me a aspereza da vida e a crueldade de alguns verdugos. Mas é justamente na sua face mais reflexiva, na superfície mais escancarada que eu quero descobrir a relevância de tudo isso que agora está aqui fora: a relevância do nada. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Misty

Creio que o pior castigo da solidão seja justamente descobrir-se. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nos Caracoles


Toda a vida parece traduzida nessa estrada : ainda que dê muitas voltas em torno de um imenso precipício, que faça prender a respiração a cada curva e que levante um pouco da poeira, nos consternando com um cenário tão grandioso, distante e, ao mesmo tempo, tão íntimo, a estrada, a estrada...só segue.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sagrado

No silêncio, escutou o canto mais bonito. Eram rimas de profundo amor, eram versos sobre aquilo que é mais importante em toda a existência: o nada. Naquele instante foi deslizando-se para o ar, desfazendo-se em vento. E todo seu corpo sentia essa liberdade, esse estranho regozijo que para alguns é crença, e para outros não pode ser mais do que o instante célebre da larga caminhada.

sábado, 28 de maio de 2011

Eu começo por onde a estrada vai.

Esse post vai sem os acentos e demais pontuaçoes do bom (rs) português. Vai também sem texto e sem análises de qualquer coisa. Tentei escrever durante esse mês fora, mas a vergonha de saírem coisas medíocres (leia-se mais medíocres do que o meu cômodo costume já oferecia) e os receios de transformar tudo num grande diário de viagem, escrito as pressas, cheio de repetiçoes e coisas absolutamente desnecessárias, só me habilita a postar algumas fotos - que também nao obdecem a nenhum critério estético aceitável em aulas de fotografia - e parcos comentários. Temporariamente, é isso que tenho pra fazer.

Depois que deixei Salvador, a primeira coisa que me recordou algum nível de civilizaçao urbana foi o Rio de Janeiro. Quer dizer, a primeiríssima foi o Cristo Redentor de braços abertos. O dia nao tava lá com aquelas cores tropicais, mas descer no Rio enche de cores meus olhos. Daí em diante, conexoes infinitas. Se duvidar fui pra Manaus e nao me dei conta. Foi o jeitinho que a TAM escolheu pra dizer que sou classe econômica restrita.
Aí o Sul do país te dá esse céu azul que até sugere enganar alguém de outros trópicos, mas é tudo brinks. E você sabe disso quando recebe nas costas aquele ventinho que estudávamos nos livros de geografia: Minuano.

Na foto, o Gasômetro - é também estranhei o nome. Boa parte dos meus dias passei aí, vendo os filmes do Cine Esquema Novo. Um monte de coisa legal e outra babaquices que aquelas pessoas com óculos fundo de garrafa adoram levantar, aplaudir e celebrar como o último sopro da criaçao pós moderna. Perdi a paciência pra esse tipo, sabe? Mas o lugar é bem legal. Parece um pouco com Austrália: enorme e vazio.
 O céu levemente metálico depois do pôr do sol, que nao chega a ser padrao Baía de Todos os Santos, mas está super longe de provocar vergonha alheia.
Toda cidade que pontua Mercado Municipal como ponto turístico merece um pouco menos de respeito. Esse até era legal e relativamente limpo. Vendiam coisas de Umbanda também, o que, evidentemente, me recordou a Feira de Sao Joaquim. E tinham uns temakis que pareciam deliciosos por 4 ou 5 reais (sim, o custo de vida em Porto Alegre é bem mais barato do que em Salvador - e olha que o poder aquisitivo da populaçao é maior).  A Umbanda no Sul tem influências ciganas. É como dizem, nesse país até o marxismo se mistura com dendê.


Gabriela me mataria por essa foto, tenho certeza. Mas achei um tanto de fofura e amor nela. No Santander Cultural, um prédio bem imponente no Centro da cidade e com exposiçoes, mostras, cinemas, etc e tal. 
 
No dia, tinha um fotógrafo bem velhinho fazendo a visita guiada pelo V Festival de FotoPoa. As fotos dele eram tao surreias de boas que se eu tivesse vergonha, jamais voltaria a tocar numa máquina. Mas eu nao tenho e segui. 


Fazendo pose pra o ferro-velho que se chamam de arte. 

A Casa de Cultura me ganhou na chegada. Achei tudo bem leve e poético. Tá certo que algumas fotos lembram a Casa Rosada, em Buenos Aires, mas o lugar tem algo de original, de próprio. E a luz que bate lá no último andar, as cinco horas da tarde, é como um quadro descrito por Virgínia Woolf. 

Bem, achei parecido. E abaixo uma demonstraçao de que, embora eu quase nunca saiba apreciar devidamente, eu sempre reparo nas formas e nos encaixes que as coisas assumem no concreto. 
A escada de Nazaré. 
 Esse sou eu tremendo de frio e verdadeiramente admirando o rio. 
 Essa praça tinha a cara do outuno. Algum milico lá em cima fazendo o que mais sabem fazer: apontar armas. Porto Alegre tem uma vila militar no meio da cidade. Tipo, nao esta isolada ou distante das pessoas. Tá no coraçao da vida urbana e qualquer um pode caminhar assim livremente. Se você nao pensa em fazer um filme ou ensaio sobre os anos de chumbo da ditadura, tudo é extremamente desnecessário. Assim como as forças armadas, claro.
Depois de quase uma semana, eu me despedi de Porto Alegre com um dia horroroso. Chovia, o aeroporto passou o dia inteiro fechado, a TAM nao queria cancelar o vôo, obviamente pra nao ter gastos extras, enfim, além da tensao de decolar nessas condiçoes, horas sem comer, horas passeando pelos mesmos corredores, horas vendo as mesmas atendentes do duty free e coisas do tipo. 

Faltaram coisas: Porto Alegre tem muitas casas noturnas - nao fiz o registro, risos- e um bairro bem boêmio - República. É uma cidade de fumantes, claro. E há bitucas de cigarro até dentro da sua cueca se duvidar. Almocei quase todos os dias no shopping Praia de Bellas. É meio phyno, mas, comparado a soterópolis, é peixe pequeno. As pessoas sao bem amáveis e, eventualmente, você acha que acabou de cruzar com alguma top model na esquina. Mas há gente BEM baranga também, o que, novamente, faz cair por terra aqueles clichês de que o sul só tem gente bonita e coisas do tipo. Na  verdade, achei esse pedacinho do país tao brasileiro quanto qualquer outro - um pouco mais limpo,  conservado e menos violento em alguns pontos, é verdade - mas com os nossos mesmos tormentos e esperanças.

Visitaria de novo fácil no próximo inverno porque verao, sem mar, sem brisa, sem carnaval e passando por ondas de calor abusivas, é deveras insuportável.






quinta-feira, 14 de abril de 2011

Com o vento

Eu começo por onde a estrada vai 


E eu tô voltando para o mundo. Outra vez.

domingo, 11 de outubro de 2009

Ciclos


Toda viagem passa por um ciclo de preparo, consumo e consequências. O meu é sempre vicioso.

TRISTEZA E CONTENTAMENTO (Referente a 1ª Etapa) É quando sua rotina está uma droga e aquele seu sonho de morar em NY anda tão distante que qualquer promoção aérea para Minas Gerais já te deixa animado. Perceba, é somente Minas Gerais.

DÚVIDA (A etapa que não é primeira nem segunda)
Você ouve alguém na rua falar uai e trem bã (se não for MG pensa no sotaque do lugar que você vai e substitui. A fórmula funciona). Imediatamente, você se lembra de que vai para esse lugar e que vai ser assistido por pessoas que se comunicam assim. Should i stay or should i go?

PLANOS (2ª Etapa)
Vendo que não é um bom negócio cancelar a passagem e perder paciência e dinheiro, você confirma o hostel. Uma vez concluído o processo, é hora de fazer planos do que fazer e ver. E aí, pirem, você acaba descobrindo que o ponto turístico da cidade é uma lagoa. Pirem de novo: é artificial.

ANIMAÇÃO (Da etapa em que o desfecho começa a se anunciar)
Uma lagoa é um lugar aprazível. Um trânsito pesado é sinônimo de vivacidade. Um aeroporto na casa do inferno é sinal de planejamento urbano. Um povo caipira é excelente fonte de estudo antropológico. Temeridade, lixo é o seu lugar.

CRISE BRUTA (Etapa Crítica)
É o momento em que a empolgação se encontra com o pouco que sobrou do seu senso de realidade (e, convenientemente, com seu senso de rídiculo). Você pensa em cancelar passagem, albergue e congresso. Sabe que será ruim com a mesma certeza de que sabe que precisa ir.

DA ETAPA QUE SE CONCLUI Você viaja. O que vai sobrar disso depende de alguns fatores imprevistos, que embora incertos sempre te levam inevitavelmente a...

...TRISTEZA E CONTENTAMENTO
Porque se sua última viagem foi maravilhosa você fica triste porque acabou e se foi uma porcaria você fica triste porque foi e gastou o dinheiro do aluguel de seu cubículo quarto e sala em NY. É quando sua rotina volta a ficar uma droga e....

Foto:
De uma viagem que passou por todos esses ciclos, mas que ainda não sei o tamanho do sucesso ou fracasso.

PS: Há exatamente um ano eu tinha uma vida em Oslo, na Noruega. Depois, eu tinha uma passagem pra Dublin com conexão em Milão. Em seguida, uma matrícula numa escola em Londres. Quarta-feira estou indo para Belo Horizonte. É pra cortar os pulsos, né não?