quarta-feira, 11 de março de 2009

Hey, Twitter.


Eu deletei o Twitter por achar aquilo lá uma bobagem sem fim e sem fins. E continuo achando. Mas reconheço que, às vezes, é importante dizer ao mundo o que está sentindo ou, no caso, fazendo. Mesmo que esse mundo, claro, se resuma a você num monólogo interminável com você mesmo. Tipo, meu caso. Daí que estou com uma dorzinha de cabeça chata desde o domingo ou talvez segunda. Nunca sei precisar quando fico levemente abalado. Até pensei que fosse dengue, mas os sintomas pararam na dor de cabeça. Agora acabei de tomar um daqueles analgésicos super providencias e posso até olhar pra tela do computador sem vontade de quebrá-la. E estou aqui vendo Chico cantar Roda Viva, em 1967, mandando currículo para estágios e pensando na vida enquanto crio coragem para retomar a leitura de Gramsci (Os Intelectuais e a Organização da Cultura). O mais surpeendente do livro foi ver que tem um carimbo imenso sinalizando: Tombamento Patrimonial da UFBA. Levando em consideração as folhas quase soltas, a contra-capa presa por uma etiqueta bizarra e o cheiro, literalmente, desesperado do livro, acho que o tombamento veio tarde demais ou, na melhor das hipóteses, veio com ares de piada mal resolvida.

Ok, voltemos a Gramsci.

terça-feira, 10 de março de 2009

O Leitor


Se eu tivesse recursos, um pouco mais de vontade, interesse e tempo livre (tá, eu até tenho tempo livre), eu faria um levantamento sobre quantas vezes Hollywood produziu filmes sobre o Nazismo e como, surpreendentemente, consegue se renovar dentro da mesmice do tema. O primeiro filme que vi sobre nazismo foi A lista de Schindler, do Spielberg, lançado em 1993, mas só disponível nas locadoras do interior da Bahia, em 95. Apesar de ter apenas sete anos, ler as legendas e passar 3h diante de uma televisão vendo um filme preto e branco, isso não é que o que se pode considerar como um trunfo quando as opções de lazer para aquelas crianças se limitavam a desenhos animados nada favoráveis à nossa cognição. Antes de Spielberg deve ter tido algumas centenas de filmes A, B, C, D que começa m num plano cinza e com as letrinhas indicando o ano, Alemanha, 1936. Eu não reclamo. Gosto tanto de história que não reclamo. Se eu tivesse conhecido Hobsbawn antes de entrar na universidade, talvez minha escolha do curso tivesse mais coerência e inspiração. Mas como estou na Facom, respirando um ar de cultura bastante rarefeito, me enfiei no cinema pra assistir O Leitor, e pá, vamos lá, mais um. Kate Winslet é convincente. Já gostava dela desde que fez Titanic, sei lá, atores britânicos são naturalmente melhores que os americanos. E o filme é instigante, ainda que Ralph Fiennes, sinceramente, não vai conseguir fazer nada melhor do que sexo no banheiro do avião com uma aeromoça e o meio chato O paciente Inglês, claro. O Leitor é um jogo de sedução, a perda de inocência, a descoberta de si próprio, a redescoberta do mundo pós-guerra, uma fonte que clareia os limites entre a fronteira do sensual e do erótico, sem cair na apelação gratuita. É um livro e, como tal, amplia os horizontes do conhecimento, constrói novas perspectivas, provoca mudanças, irrita e não tem um fim propriamente dito. A justificativa do filme é boa. A narrativa é boa. Mas essa conversão do filme num reflexão social sobre o nazismo e essa história de que as pessoas nem sempre sabiam o que estavam fazendo, e toda aquela coisa sobre os 6 milhões de judeus mortos pelo III Reich, isso, bem, isso não é tão bom assim. E não é tão bom assim porque me parece que os diretores aprenderam que enredos bem feitos, com atores bons, tem mais chance de ganhar o Oscar e baboseiras do tipo, se colocarem uma suástica bem no meio da tela e provar pra meia dúzia de judeus que julgam esses prêmios que eles também são solidários com a causa e o sofrimento desse povo errante. E ainda que isso não chegue a prejudicar o filme, não é nada muito criativo. Mas Stephen Daldry, o mesmo que dirigiu o excelente e melhor do que O Leitor, As Horas, continua absolutamente comovente. O Leitor, mesmo sendo bom, do começo ao fim, poderia ser incrivelmente melhor se continuasse sem aquele julgamento, aquelas cenas do tribunal e aquele professor cheio de boas intenções dando conselhos e fazendo aqueles questionamentos forçados. Porque, às vezes, o cinema é melhor quando faz a gente pensar menos e sentir mais.

domingo, 1 de março de 2009

Mais um sonho impossível (ou nem tanto assim)...



Se de repente eu sonho que meu pai pertence a um grupo de extermínio, que minha mãe o ajuda com a munição e que eu vou tomar banho de cachoeira num povoado chamado Oricó, é porque a vida não deve estar muito boa. E realmente não está. Achei esse sonho tão significativo que em algum ponto para além da cena grotesca, deve ter alguma coisa de real nisso tudo. É como me sinto.

Arrependimento: Eu acho que nesse exato momento, há pouco mais de sete horas, antes do começo do semestre eu conclui que tomei a decisão errada - pra variar, claro. Era melhor ter ido pra Londres, passado dois meses e meio, aprender pouco inglês e ser feliz o resto do ano inteiro, do que ter ido pro país vizinho e ter ficado pobre da noite pro dia.

Foto: Pra falar a verdade, acho tosco isso de explicar as fotos, mas nunca disse que criatividade era meu forte (se é que tenho algum). Eu bem queria me atirar de novo nisso aí. Por alguns minutos, sentir a linha tênue entre vida e morte. Estranho de explicar, estranho...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Saraiva....


Por que diabos meus livros estão demorando tanto pra chegar? Sabia que poderia existir algo errado naquela história de Frete Grátis. As aulas começam segunda-feira, vou ali morrer.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Happy New Year




Carnaval acaba, o ano começa. Não vai ser nada fácil, eu sei.

Foto: Ano que vem eu consigo uma fantasia mais digna.

PS:
Eu nem ligo mais pra essa bobagem do Oscar, mas que é sempre muito bom ver Sean Penn ganhando isso é!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Transversal



Malu Fontes, minha professora e jornalista sem papas na língua, é especialista em criticar o politicamente correto. Eu também. Nunca aceitei que alguém ousasse me corrigir porque chamei uma empregada doméstica de empregada doméstica ao invés de secretária do lar ou de substituir menino de rua por criança em situação de vulnerabilidade sócioeconômica. Mudar os termos não muda a situação, a condição de pobreza, humilhação, falta de dignidade, etc, etc a que estão submetidos. A verdade é que dizer portador de necessidades especiais para se referir a um deficiente físico soa mais agradável aos ouvidos da nossa simpática e desocupada classe média. Agora vamos lá, perguntem-se o que boa parte desses politicamente corretos e nascidos chatos fazem para que se tenha elevador em todos os ônibus, rampas de acesso a praias, banheiros públicos, escolas, praças, hotéis, etc para quem não pode andar? Nada. E o que eles fazem para que suas empregadas domésticas possam ir ao cinema ou ao teatro de vez em quando, para que possam dar um livro de presente a seus filhos ou mesmo comprar roupas novas e se envaidecer como eles? Nada. E o que eles fazem quando alguém fala de puta, mendigo, deficiente, cego, surdo, mudo, empregada, doméstica ou qualquer outro termo genérico? :O, ameaçam com processo, xingamentos, depreciação, apedrejamento em praça pública, cartas abertas, perseguição...Bem esse texto nem era pra falar tanto disso. Só queria mesmo era comentar essa propoganda do governo da Bahia, que faz parte da campanha de prevenção contra Aids. Tava no jornal da Metrópole, e eu coloquei aqui porque se estamos falando do politicamente correto e todas essas babaquices que regem a vida na sociedade contemporânea, eis aqui um caso raro de uma pessoa que, certamente, será demitida em breve.






Carnaval
Está chegando e eu começando a me perguntar por que não alugar muitos vídeos, ler muitos livros e passar sete dias muitíssimo bem? Ora, meu dvd e minha televisão se separaram e não atuam mais juntos, eu não tenho dinheiro para alugar vídeos e se for comprar livros teria de esperar o carnaval para receber a entrega. Ah, e a estou sem luz no meu quarto há duas semanas.

Livros
Acabei O livro do riso e do Esquecimento, do Kundera. Excelente, excelente. Talvez tão bom quanto A insustentável Leveza do Ser. Tá, exagerei. Não é tão bom quanto, mas se eu cheguei a fazer essa comparação é porque realmente gostei do livro. Daí que agora estou lendo o fraco O homem Duplicado, do José Saramago. Esse é realmente fraco. A história sem pé nem cabeça de um homem que assiste um filme e daí percebe que o ator é igualzinho a ele e entra em crise existencial. Pode? Não é, no mínimo, tosca uma história que começa assim? Pior, o homem tenta descobrir como se chama o nome do ator e pra isso, inteligentemente, ele decide alugar todos os filmes da produtora do filme. Enquanto isso, há uma débil e insignificante história de amor com uma mulher chamada Maria da Paz. Tudo umas 100 páginas que poderiam ser reduzidas a 40 caso o autor tivesse mais criatividade e menos enrolação. Aí ele descobre quem é o ator, marca o encontro, eles ficam nus e cada um vai embora pro seu canto e foi aí que parei pra continuar daqui a pouco. É o tipo de livro que professor de literatura mediano adoraria. Há modos mais inteligentes de se falar da perda de identidade, da massificação de valores, da comodidade e de todas essas coisas importantes de que falam os críticos da pós-modernidade. Mas esse livro dói. E eu gosto de Saramago. Acho O evangelho segundo Jesus Cristo um dos melhores que já li, mas esse é uma piada de mau gosto que consumiu 21 reais (me acabo com os livros de bolso da Companhia das Letras) e dois dias de leitura na ânsia do faltam-quantas-páginas?

Música
Alguém dúvida de que esse blog está virando um remendo infinito de coisas que nem precisavam ser ditas, escritas, guardadas? Já que começou, né, agora termino. Estou na fase obsessão por Maria Bethânia e Elis, se é que algum dia já estive fora dela. Completamente embevecido (em todos os sentidos) ouvindo, ouvindo, ouvindo e lendo esses livros que citei acima. Coisa boa. Se me ligam, mando dizer que estou fora, se ligam no celular só retorno depois que acaba o disco ou no final de um capítulo. Em 2009 eu vou perder alguns amigos, mas daí eu, ouvindo Elis, andei me perguntando porque diabos eu tinha sempre a mania de sair ligando pra todo mundo tentando marcar de sair e essas coisas todas que fazem as pessoas com boas pretensões de serem limpinhas socialmente? Fiquei com a impressão ter sido um idiota, sabe? Faz uns meses, alguns tantos meses, que parei. Mas aí tinha a história da viagem e tudo mais. E não viajei, quer dizer, não viajei da forma que eu queria e tinha planejado. E agora que eu voltei foi que eu me dei conta de que realmente tinha de parar de ligar, de procurar e de resolver coisas e fazer coisas que me interessavam. E aí, boa parte das pessoas que eu ligava convidando para programas muito legais não ligam mais e dizem que querem me ver (ou seja, deixam claro que querem que eu ligue, insista, ouça seus vacilos, etc, etc até convencer a sair). Sim, porque as pessoas gostam de serem aduladas, gostam de ficare na comodidade, à espera. Mas eu não vou ligar, nem insistir nem dar ração pra alimentar seus egos e suas vaidades. Dá licença, mas eu vou ouvir Bethânia cantando Chico enquanto eu acabo de ler esse livro besta que comprei.

Foto:
Mafalda por todos os lados. Em alguma linha do metrô, dizendo algo que sinto e lamento ser uma verdade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vamos nessa


Acho que ninguém deveria levar a sério um blog que vive às moscas, de conteúdo irrelevante e cujo dono coloca uma foto como essa pra se identificar. Acontece que é assim mesmo que eu quero continuar. Já deu tudo errado em todos os meus planos. Sim, porque se eles tivessem êxito ou, pelo menos, tivessem dados sinais de que estavam se encaminhando, eu dificilmente estaria escrevendo num blog pra ninguém. Mas isso é bobagem. As coisas não foram feitas para darem certo. Escolhi um curso que acreditava ser incomparável a qualquer outro e uma profissião que me daria a chance de viajar, conhecer pessoas, trabalhar longe de escritórios e ganhar um salário capaz de pagar minhas despesas e vaidades. Em menos de 1 ano, a gente aprende que viajar pode ser uma encrenca, que as pessoas não são boazinhas e são quase sempre desinteressantes e que trabalhar em escritórios, ao menos, garante o conforto de um ar-condicionado. Ontem, Leandro Fortes me convenceu de que eu não posso ser jornalista. Não posso, sabe? Até seria entristecedor ver alguém perder 4 anos de sua vida em algo que, no final das contas, só vai possibilitar se afastar dela. Eu não posso ser jornalista. Perdi os idealismos, perdi a paciência pra entrevistar pessoas vazias e burras, não tenho a menor vocação pra escrever sobre receita de bolo, tendências da moda, as táticas de Dunga, escandâlos de corrupção ou sobre a fome no Piauí. Mais do que uma questão de tempo pra assumir essas coisas, era uma questão de coragem, de admitir que escolhi errado - ainda que não tenha tido escolhas. Sei que não posso recomendar nada do livro (Jornalismo Investigativo) porque a exceção de algumas histórias boas de bastidores o restante seria inútil para o público comum, ou seja, para não estudantes de jornalismo. Em cada página eu desenhava as formas de escapar daquilo, da vida de jornalista, das presepadas sem sentido, da rotina estressante, do salário de fome, etc. Daí que eu conclui que poderia largar a faculdade, suportar um cursinho com aqueles professores semi-ignorantes, passar em outro curso e desistir depois de 3 anos e meio. Sim, porque meu problema não consiste na dúvida do que fazer, mas em como fazer. Porque é esse eterno "como faz" que me deixa absorto, inerte, pensantivo e um pouco sem coragem. Em alguns anos, dois no máximo, quero morar sozinho. Isso implica em ter dinheiro suficiente pra bancar viagens no final do ano, cursos de idioma, conta de água, luz, condomínio, aluguel, transporte, alimentação, livros, cinema, teatro, shows, roupas, e todas aquelas despesas extras que a vida se encarrega de nos dar. Entendem minha preocupação? Tenho que saber como fazer isso conciliando com a clara repulsa que adiquiri de minha profissão aliado a minha convicção de que mudar de curso em busca de outra profissão adiantará em muito pouco. Assim é que estou em busca de concursos públicos. Assim é que penso em fazer a prova do Rio Branco e começar a estudar esse ano. Assim é que vou disparando soluções pra todos os lados, porque o fato das coisas não serem feitas pra dar certo não implica no fato delas sempre darem errado. E é nesse pequena esperança que eu me apóio.

Foto
Se eu não ganhar dinheiro logo, quando é que voltarei pra Bariloche?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Tá só começando



Comecei 2009. Deletei o twitter, vontade de ficar no quarto por longos períodos absorto em livros, de saco cheio para estágios, faculdade e afins, esperando Novos Baianos tocar no Carnaval e terminando de jogar terra no túmulo em que enterrei 2008.

Eva Luna

Contos de Eva Luna é realmente um bom livro. Gosto da forma que Isabel Allende escreve. Um intimismo sem pieguismos, exageros ou bobagens. Paguei uns 20 pesos por esse livro. Não compreendo porque pagamos tão caro em livros no Brasil. Mesmo naqueles em que a tradução é péssima, que a capa é pouco instigante e que o conteúdo nem é dos mais interessantes, os preços continuam inacessíveis. Quer dizer, já somos culturalmente predispostos a não ler, a ocupar as cabecinhas vazias fazendo tantas outras coisas vazias que um pretexto desse cai perfeitamente bem aos nossos hábitos seculares.

Orkut

Já estava farto de criticar aquela horda de pessoas colocando frases atribuídas aClarice Lispector em cada buraco do orkut. Mas nos ensina a vida que não há nada suficientemente ruim que não possa piorar. Pois bem, não contentes em banalizar a maior escritora brasileira, que, veja bem, nem brasileira é de fato, as pessoas passaram a criar frases no estilo Clarice Lispector e espalhar sua criatividade pelo mundo.
Algumas frases constrangedoras baseadas no "estilo" Lispector de ser e escrever. (Leiam e me digam quantas visitas ao inferno Clarice teria de fazer para dizer essas coisas...)

"Se a vida fosse uma corrida, gostaria de chegar por ultimo."
"Minha imaginação é como o vale do rio Nilo: fértil"
"O amor não é água fácil de se colocar em potes"
"Que valha. Mesmo que navalha"
"Pego meu ônibus, não consigo latir. Rosno baixinho "

Gostou da prévia? Tem mais aqui:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=8021&tid=2507775541650237162&start=1


Foto
El Ateneo era um teatro luxuoso que virou uma livraria luxosa e que me convenceu de que ainda que tenha um acervo gigantesco de livros bons nunca vou ter um espaço assim para armazená-los. Humilhado.