
Malu Fontes, minha professora e jornalista sem papas na língua, é especialista em criticar o politicamente correto. Eu também. Nunca aceitei que alguém ousasse me corrigir porque chamei uma empregada doméstica de empregada doméstica ao invés de secretária do lar ou de substituir menino de rua por criança em situação de vulnerabilidade sócioeconômica. Mudar os termos não muda a situação, a condição de pobreza, humilhação, falta de dignidade, etc, etc a que estão submetidos. A verdade é que dizer portador de necessidades especiais para se referir a um deficiente físico soa mais agradável aos ouvidos da nossa simpática e desocupada classe média. Agora vamos lá, perguntem-se o que boa parte desses politicamente corretos e nascidos chatos fazem para que se tenha elevador em todos os ônibus, rampas de acesso a praias, banheiros públicos, escolas, praças, hotéis, etc para quem não pode andar? Nada. E o que eles fazem para que suas empregadas domésticas possam ir ao cinema ou ao teatro de vez em quando, para que possam dar um livro de presente a seus filhos ou mesmo comprar roupas novas e se envaidecer como eles? Nada. E o que eles fazem quando alguém fala de puta, mendigo, deficiente, cego, surdo, mudo, empregada, doméstica ou qualquer outro termo genérico? :O, ameaçam com processo, xingamentos, depreciação, apedrejamento em praça pública, cartas abertas, perseguição...Bem esse texto nem era pra falar tanto disso. Só queria mesmo era comentar essa propoganda do governo da Bahia, que faz parte da campanha de prevenção contra Aids. Tava no jornal da Metrópole, e eu coloquei aqui porque se estamos falando do politicamente correto e todas essas babaquices que regem a vida na sociedade contemporânea, eis aqui um caso raro de uma pessoa que, certamente, será demitida em breve.

Carnaval
Está chegando e eu começando a me perguntar por que não alugar muitos vídeos, ler muitos livros e passar sete dias muitíssimo bem? Ora, meu dvd e minha televisão se separaram e não atuam mais juntos, eu não tenho dinheiro para alugar vídeos e se for comprar livros teria de esperar o carnaval para receber a entrega. Ah, e a estou sem luz no meu quarto há duas semanas.
Livros
Acabei O livro do riso e do Esquecimento, do Kundera. Excelente, excelente. Talvez tão bom quanto A insustentável Leveza do Ser. Tá, exagerei. Não é tão bom quanto, mas se eu cheguei a fazer essa comparação é porque realmente gostei do livro. Daí que agora estou lendo o fraco O homem Duplicado, do José Saramago. Esse é realmente fraco. A história sem pé nem cabeça de um homem que assiste um filme e daí percebe que o ator é igualzinho a ele e entra em crise existencial. Pode? Não é, no mínimo, tosca uma história que começa assim? Pior, o homem tenta descobrir como se chama o nome do ator e pra isso, inteligentemente, ele decide alugar todos os filmes da produtora do filme. Enquanto isso, há uma débil e insignificante história de amor com uma mulher chamada Maria da Paz. Tudo umas 100 páginas que poderiam ser reduzidas a 40 caso o autor tivesse mais criatividade e menos enrolação. Aí ele descobre quem é o ator, marca o encontro, eles ficam nus e cada um vai embora pro seu canto e foi aí que parei pra continuar daqui a pouco. É o tipo de livro que professor de literatura mediano adoraria. Há modos mais inteligentes de se falar da perda de identidade, da massificação de valores, da comodidade e de todas essas coisas importantes de que falam os críticos da pós-modernidade. Mas esse livro dói. E eu gosto de Saramago. Acho O evangelho segundo Jesus Cristo um dos melhores que já li, mas esse é uma piada de mau gosto que consumiu 21 reais (me acabo com os livros de bolso da Companhia das Letras) e dois dias de leitura na ânsia do faltam-quantas-páginas?
Música
Alguém dúvida de que esse blog está virando um remendo infinito de coisas que nem precisavam ser ditas, escritas, guardadas? Já que começou, né, agora termino. Estou na fase obsessão por Maria Bethânia e Elis, se é que algum dia já estive fora dela. Completamente embevecido (em todos os sentidos) ouvindo, ouvindo, ouvindo e lendo esses livros que citei acima. Coisa boa. Se me ligam, mando dizer que estou fora, se ligam no celular só retorno depois que acaba o disco ou no final de um capítulo. Em 2009 eu vou perder alguns amigos, mas daí eu, ouvindo Elis, andei me perguntando porque diabos eu tinha sempre a mania de sair ligando pra todo mundo tentando marcar de sair e essas coisas todas que fazem as pessoas com boas pretensões de serem limpinhas socialmente? Fiquei com a impressão ter sido um idiota, sabe? Faz uns meses, alguns tantos meses, que parei. Mas aí tinha a história da viagem e tudo mais. E não viajei, quer dizer, não viajei da forma que eu queria e tinha planejado. E agora que eu voltei foi que eu me dei conta de que realmente tinha de parar de ligar, de procurar e de resolver coisas e fazer coisas que me interessavam. E aí, boa parte das pessoas que eu ligava convidando para programas muito legais não ligam mais e dizem que querem me ver (ou seja, deixam claro que querem que eu ligue, insista, ouça seus vacilos, etc, etc até convencer a sair). Sim, porque as pessoas gostam de serem aduladas, gostam de ficare na comodidade, à espera. Mas eu não vou ligar, nem insistir nem dar ração pra alimentar seus egos e suas vaidades. Dá licença, mas eu vou ouvir Bethânia cantando Chico enquanto eu acabo de ler esse livro besta que comprei.
Foto: Mafalda por todos os lados. Em alguma linha do metrô, dizendo algo que sinto e lamento ser uma verdade.

Carnaval
Está chegando e eu começando a me perguntar por que não alugar muitos vídeos, ler muitos livros e passar sete dias muitíssimo bem? Ora, meu dvd e minha televisão se separaram e não atuam mais juntos, eu não tenho dinheiro para alugar vídeos e se for comprar livros teria de esperar o carnaval para receber a entrega. Ah, e a estou sem luz no meu quarto há duas semanas.
Livros
Acabei O livro do riso e do Esquecimento, do Kundera. Excelente, excelente. Talvez tão bom quanto A insustentável Leveza do Ser. Tá, exagerei. Não é tão bom quanto, mas se eu cheguei a fazer essa comparação é porque realmente gostei do livro. Daí que agora estou lendo o fraco O homem Duplicado, do José Saramago. Esse é realmente fraco. A história sem pé nem cabeça de um homem que assiste um filme e daí percebe que o ator é igualzinho a ele e entra em crise existencial. Pode? Não é, no mínimo, tosca uma história que começa assim? Pior, o homem tenta descobrir como se chama o nome do ator e pra isso, inteligentemente, ele decide alugar todos os filmes da produtora do filme. Enquanto isso, há uma débil e insignificante história de amor com uma mulher chamada Maria da Paz. Tudo umas 100 páginas que poderiam ser reduzidas a 40 caso o autor tivesse mais criatividade e menos enrolação. Aí ele descobre quem é o ator, marca o encontro, eles ficam nus e cada um vai embora pro seu canto e foi aí que parei pra continuar daqui a pouco. É o tipo de livro que professor de literatura mediano adoraria. Há modos mais inteligentes de se falar da perda de identidade, da massificação de valores, da comodidade e de todas essas coisas importantes de que falam os críticos da pós-modernidade. Mas esse livro dói. E eu gosto de Saramago. Acho O evangelho segundo Jesus Cristo um dos melhores que já li, mas esse é uma piada de mau gosto que consumiu 21 reais (me acabo com os livros de bolso da Companhia das Letras) e dois dias de leitura na ânsia do faltam-quantas-páginas?
Música
Alguém dúvida de que esse blog está virando um remendo infinito de coisas que nem precisavam ser ditas, escritas, guardadas? Já que começou, né, agora termino. Estou na fase obsessão por Maria Bethânia e Elis, se é que algum dia já estive fora dela. Completamente embevecido (em todos os sentidos) ouvindo, ouvindo, ouvindo e lendo esses livros que citei acima. Coisa boa. Se me ligam, mando dizer que estou fora, se ligam no celular só retorno depois que acaba o disco ou no final de um capítulo. Em 2009 eu vou perder alguns amigos, mas daí eu, ouvindo Elis, andei me perguntando porque diabos eu tinha sempre a mania de sair ligando pra todo mundo tentando marcar de sair e essas coisas todas que fazem as pessoas com boas pretensões de serem limpinhas socialmente? Fiquei com a impressão ter sido um idiota, sabe? Faz uns meses, alguns tantos meses, que parei. Mas aí tinha a história da viagem e tudo mais. E não viajei, quer dizer, não viajei da forma que eu queria e tinha planejado. E agora que eu voltei foi que eu me dei conta de que realmente tinha de parar de ligar, de procurar e de resolver coisas e fazer coisas que me interessavam. E aí, boa parte das pessoas que eu ligava convidando para programas muito legais não ligam mais e dizem que querem me ver (ou seja, deixam claro que querem que eu ligue, insista, ouça seus vacilos, etc, etc até convencer a sair). Sim, porque as pessoas gostam de serem aduladas, gostam de ficare na comodidade, à espera. Mas eu não vou ligar, nem insistir nem dar ração pra alimentar seus egos e suas vaidades. Dá licença, mas eu vou ouvir Bethânia cantando Chico enquanto eu acabo de ler esse livro besta que comprei.
Foto: Mafalda por todos os lados. Em alguma linha do metrô, dizendo algo que sinto e lamento ser uma verdade.
2 comentários:
Acabei de ler o livro e exagerei. Não é fraco não. É só que o livro começou a ser livro mesmo depois que acabei de escrever aqui. Me precipitei. Mas, sim, é um bom conto moderno. Tem lá seus problemas, não chega a ser como o Evangelho ou Jangada de Pedra ou Ensaio sobre a Cegueira, mas é bom.
Sim, é bom.
E eu me empolguei muito com o final.
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