quinta-feira, 14 de abril de 2011

Com o vento

Eu começo por onde a estrada vai 


E eu tô voltando para o mundo. Outra vez.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Há flores por todos os lados


Para Kundera a luta contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento. É ela, a memória, quem costuma exercer um papel implacável com a história. Funciona assim com os indivíduos, com um grupo, com uma sociedade, com uma nação inteira.  Parte da responsabilidade pode ser explicada por questões ligadas às ciências naturais: somos uma espécie efetivamente seletiva. Os acontecimentos, os fatos, os objetos, os lugares, as circunstâncias, os sentimentos, as pessoas podem facilmente se esvaírem, perderem formas, contornos, sumirem, serem esquecidas e levadas de maneira sublime pelo sabor do vento. Na maioria das vezes, é um gesto espontâneo, sem deliberações, quase tocando às raias da irracionalidade. 

Quando se fala de um país, notadamente marcado por uma história de crueldade e de disparidades, o esquecimento não é apenas perigoso por se imbricar e gerenciar a dinâmica da vida social – esvaziando de sentido tudo o que existe, tudo o que há, os porquês e suas raízes. No olho desse furacão, o esquecimento é talvez o grande inimigo. Inimigo do povo, inimigo do passado, a quem parece ser indiferente, inimigo do presente porque nos torno estranhos a nós mesmos e inimigo do futuro, uma vez que age de maneira proibitiva na superação de nossas celeumas. Se não teve essa função objetiva traçada desde o começo da sua produção, a novela Amor e Revolução, do SBT, que estreou na última terça-feira, dia 5, assim se expressa: uma arma contra o nosso desejo de esquecer.

O escritor uruguaio, Eduardo Galeano, celebrado por sua obra sobre América Latina, afirmou que ‘a história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi e contra o que foi anuncia o que será’. Restam poucas dúvidas de que o nosso profeta está em algum cativeiro. Só precisamos saber quem o seqüestrou e onde o guardou. Já sabemos como resgatá-lo, embora não tenhamos vontade fazê-lo. E é precisamente sobre esse desafio que o Brasil precisa se debruçar. O desafio do resgate - de sua história, de seu povo, de si próprio. 

A ditadura militar de 1964 tem sido retrata em livros, filmes, mini-séries, especiais, reportagens e uma infinidade de variações permitidas pelos recursos audiovisuais contemporâneos. Como tema central e tônica de uma novela é a primeira vez. Na mesma proporção que reconhecemos que esse ‘gênero televisivo’ tem suas limitações inerentes e qualquer deslize pode tornar tudo mais piegas e superficial do que o próprio roteiro original poderia prever, somos obrigados a também aceitar o seu incrível potencial de ingerência no tecido social, a sua força para abrir espaço para o diálogo, para troca, no cerne do povo brasileiro.  

Assim, mesmo antes de sua estréia, propositadamente marcada para acontecer 67 anos e 5 dias depois do golpe de Estado (golpe esse que as viúvas de Médici e os filhotes de milico insistem em chamar de Revolução Democrática),  Amor e Revolução é uma vitória. Pela primeira vez, de forma diária, num faixa de horário nobre, as pessoas podem acompanhar alguns dos principais e mais decisivos acontecimentos recentes do país. Se não servir para suscitar discussões mais acaloradas sobre projetos políticos, no mínimo cumpre a função de mostrar que a tirania, as perseguições, a cassação da liberdade de expressão, da liberdade política, as mortes, as torturas, e todo aquele aparato repugnante não foram, não são e não serão invencionices de desocupados.  A história impôs ao Brasil um direito que nem a Constituição de 88 poderia contemplar: o direito de não esquecer.  

É dessa malograda conquista que estamos falando quando apontamos nessa novela uma vitória. Suas limitações, seja pela fragilidade dos textos - tudo parece às vezes uma soma de clichês carregados e vigiados no bolso pela esquerda pueril- ou pelas interpretações – mais plásticas e com menos intensidade que a época exige- ou pelo excesso de canções datadas, não ofuscam o trunfo que a obra oferece: a possibilidade de assistir e de ouvir os testemunhos daquela realidade. De dizer: ei, isso aconteceu ontem. E vem no momento em que as pessoas parecem saturadas do tema ou convencidas pelo vale-tudo pós-moderno que tenta nos impelir ‘o já passou’, ‘é caso superado’, ‘a nova geração cresceu livre’, ‘olhemos pra frente’. Não. Não, aceitamos. Não temos o direito de esquecer. 

Argentina e Chile, para citar os dois máximos expoentes nessa questão, lutam sistematicamente pela punição de todos os torturadores que ajudaram a estruturar e a manter viva a máquina de moer gente. Se lá os processos foram mais sangrentos pouco importa. Independente de 300 mortos ou de 30.000 a nossa indignação não é maleável, sujeita a barganhas. Na contramão, o Brasil vai deixando o tempo passar. Somente com o início do governo Lula os arquivos secretos começaram a ser abertos e ainda assim o exército, a extrema direita, a velharia golpista protestou, protestou e houve recuos.  Mas basta mesmo o chilique do séquito dos velhos generais ou o despautério de que não se governa olhando pelo retrovisor para justificar a qualquer preço o silêncio do país? 

Quando li as 20 primeiras páginas do livro Brasil Nunca Mais passei dois dias absorto. Aquelas páginas também me torturam. Diferente de meus tios, arrastados para os porões da ditadura, não vivi a época. Mas, parafraseando Belchior, minha dor é perceber que agentes que eletrocutavam, que inseriam insetos na vagina de mulheres grávidas, que arrancavam as unhas dos seus adversários, que jogavam jacarés, cobras contras os prisioneiros, e outras tantas barbaridades como a própria violência sexual, estejam soltos. Se com 60, 70 anos, não faz diferença. Não estamos falando aqui de vingança pessoal, de dar exemplo. É da justiça, da justiça de um país para consigo mesmo, com seu povo e com sua soberania. Não punir equivale a legitimar.

Amor e Revolução traz para essa geração, que no grosso de sua expressão detesta tudo o que não tenha o botão off e on, a possibilidade de saber. Oferece ao país o direito à memória. Assim como o combate ao racismo perpassa pelo não esquecimento do seqüestro de milhões de africanos e da sua escravização por mais de 355 anos, virar a página de 64 requer o enfrentamento do Estado consigo mesmo, o reconhecimento do erro na busca pelo acerto. Ironia ou não do destino, o maoísmo da luta armada que nos fala Amor e Revolução foi quem deixou um recado para o Brasil: não se pode dar uma grande salto adiante sem ao menos retroceder um passo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O corpo é linguagem e a leitura é toda sua.


Narrado em primeira pessoa e no ritmo veloz da vida de Nova York, O Animal Agonizante desnuda a vivência do professor universitário David Kepesh, nos anos precípuos da terceira idade. Crítico literário de renome, bem sucedido profissionalmente e legítimo paladino dos anos 60, Kepesh se apresenta, ainda que não obedeça aos cânones do machismo, como homem-corpo. Aquele capaz de racionalizar/reduzir o mais bobo dos sentimentos em prazer. Da maneira como fala ao sorriso que concede às suas alunas, tudo se efetiva no ato de possuir o corpo, consumi-lo. Para inverter esse relação, um amor latino: é para Consuelo Castillo, filha de imigrantes cubanos, que Kepesh se doa por inteiro. 

Sem querer e sem acreditar, Kepesh vai mostrando  e ratificando a paixão, que poderia parecer o elemento subversivo, como o elemento mais arrebatador da vida - a qualquer idade, em qualquer momento, independente do pensamento que se tenha. Assim, dessa tensão entre os corpos, entre a agressividade sedutora do próprio ato sexual, se desenrolam reflexões sobre o tempo, a idade, as transformações, os desejos, enfim, sobre isso que nos animaliza e nos humaniza: o amor, o sexo e o sentir.

Mesmo que os personagens não se desenvolvam tanto, especialmente Consuelo - o que nos deixa com a clara sensação de que tanta entrega para um homem desses não se justificaria- O Animal Agonizante é uma das respostas plausíveis sobre o que significou a liberação sexual.  É precisamente nesse engajamento, muito menos político e por isso mesmo mais sedutor,  que Roth ganha terreno. Ele é um escritor gestado e parido na efervescência da América. Viveu, pensou e radicalizou junto com seus pares na construção do novo. E ainda o faz não se reduzindo simplesmente a explicar, mas a compreender, a reinterpretar as relações dessa e da nova geração com o seu país, com o seu mundo. 


O corpo, marcado por tantas transformações e constituído pelas perturbações e quietudes da dinâmica social, talvez seja efetivamente a melhor, a mais pura e inesgotável fonte para esse aprendizado. Sem querer sê-lo, acaba se tornando o próprio animal agonizante, completamente desnudo, intenso – começo, meio e fim de tudo. 

Na foto o filme O Anticristo. Embora lá tenha a marca impiedosa e a virulência de Lars Von Trier, dá subsídio pra discutir bastante coisa sobre O Animal Agonizante e vice-versa. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

And all that jazz.


Abdicar do mundo e fazer da vida apenas um instante ou um renascimento diário tem sido provavelmente uma das maiores ambições da juventude, do espírito de juventude, pra ser mais genérico. Há 60 anos, na segunda metade do século XX, no desolado pós-guerra, a humanidade tomou de assalto esse sonho e pintou muros, paixões e uma história inteira não pra ser contada, mas para ser vivida na intensidade daqueles tempos. É desse sonhar impossível que nos fala Jack Kerouac em On The Road, originalmente escrito nos últimos anos da famigerada década de 40.

Costuma-se no meio literário repetir com veemência que ler somente os grandes clássicos de uma época ou de um só autor é uma das bobagens mais empobrecedoras da vida. Este é um fato. Não lê-los, entretanto, ultrapassa qualquer limite razoável demarcado pela besteira: é um ato de estupidez. Considerado com Ícone da geração hippie, ícone da geração beat, ícone de um monte de coisas que viriam a estourar nos anos subseqüentes, On the Road é, a bem da verdade, uma fotografia dinâmica de um novo despertar. Décadas e décadas se passaram e lemos a história de Sal Paradise e de Dean Moriarty na apreensão e na certeza de que a próxima página resvalará numa explosão de tudo o que se mostra podre, infecundo, obsoleto. E assim o foi e assim o é.

Nesse ponto reside o poder de um clássico. A capacidade de manter permanentemente viva a chama e o envolvimento do que está sendo narrado. Em On The Road não estamos lidando com impressões, mas com certezas. É com convicção que desejamos a liberdade de romper as rígidas relações sociais que mesmo quando se transformam continuam velhas, que pretendemos nos lançar na estrada para assistir o mais o bonito nascer do sol, para dizer que cada dia é uma vida nova e é preciso fazê-la acontecer. Tampouco há titubeios em arrumar a mochila com o essencial e desbravar o novo, cruzar o país, as fronteiras, chegar ao íntimo das coisas e das pessoas somente pelo prazer de senti-las pulsar. “Não havia cidades, povoados, nada, apenas a selva, selva interminável, quilômetros e quilômetros e quilômetros”, diz Sam.

A leitura de Kerouac é a da ruptura. Cortam-se estruturas inteiras para fazer o tempo se encontrar com o espaço. E o local desse casamento é a estrada, a busca incansável, a inquietude, o dizer não três vezes, tal como Judas, ao que permanece. “Ele estava atingindo sua decisões taoístas de uma maneira simples e direta. ‘Qual é a sua estrada, homem? – a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada...Há sempre um estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?’. As respostas são tão efêmeras quanto a durabilidade do velho Ford 37 cruzando Denver, Texas, Frisco ou o México. Não sabemos, não queremos saber e isso não nos faz a menor diferença – desde que tenhamos alguns dólares, dois litros de gasolina, uma jukebox, Billie Holiday e o sabor do primeiro trago de um Lucky Strike.

Mesmo sendo dividido em cinco partes, o livro não é um vai e volta. Não há pontos de chegadas, só partidas, só o ir além e além. Da vida pregressa de cada personagem pouco se sabe. Isso talvez tenha motivado a crítica a atacá-lo como um romance de figuras rasas. Embora não haja esse tipo de detalhamento psicológico (saliente-se aqui proposital), os conflitos que perfazem a profundidade daqueles jovens estão todos ali – as vezes nas entrelinhas, as vezes expostos a olho nú. Independente do ritmo e do descompasso que existe entre eles, sabe-se que estão perseguindo o mesmo caminho.

Eventualmente, alguém se dá conta de tanta busca desajeitada e tão necessária para ratificar os compromissos com o presente vivido a queima roupa: “O velho Stan está certo, o velho Stan não está nem aí. Continua com a cabeça tão feita por causa daquelas mulheres, daquela maconha e daquele mambo do outro mundo impossível de absorver, tão estridente que meus tímpanos continuam zumbindo – uau! Ele está tão doido que só ele sabe o que está fazendo.” Só ele sabe o que está fazendo é o  resguardo do autor para que não se tente apreender ou descobrir tudo sobre os personagens. É como se ele dissesse: “Ei, não adianta querer entender o que significa o mundo impossível dele, porque dessa responsabilidade e desse conhecimento só ele pode partilhar.” Ou de uma forma mais grosseira: Dá o fora da vida dele.

O que salta aos olhos não é simplesmente a ideia de que a vida imita a arte – uma vez que o livro é anterior aos anos 60 – mas como as duas coisas estão imbricadas de forma inseparável. Não sobreviveriam em dimensões distintas. Os personagens se tornam tão próximos do leitor que nasce ali uma amizade. E se essa relação poderia esbarrar nos limites da obra ficcional, ela se realiza na absorção do mundo impossível que ali materializamos. Sim, tudo em On the Road – Pé na Estrada (também não entendi a bizarrice do título em português) vira palpável – está ali, sem a menor dose de súplica ou auto-ajuda – em nossas mãos. Exatamente como a geração posterior ensinaria ao mundo que pra ser realista é preciso exigir, no mínimo, o impossível.  

Como também escreveu Kundera, de tradição diferente, mas não menos emblemática, Kerouac nos diz que a vida está em outro lugar. O tempo todo é preciso viajar, se desprender de si para encontrá-la, para se reencontrar – na fuga e na eterna ausência/presença do passageiro. Essa tônica é o que certamente tem inspirado e encantado gerações que se debruçam sobre aqueles lugares, cheiros, cidades, pessoas, sexo, drogas, excessos sem culpa e por que não vaidades? Toda poeira desse nosso caminho é para ser sacudida sem acuidade.

Assim On The Road, lido ou não por um jovem sul americano sem bússolas, mas com ordem deliberada de partida,  lembra a vibração e poder de As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano. A tensão incansável entre o ser humano e o ímpeto é aqui revisitada de forma visceral. Se você não se contamina pelo desejo irrepreensível de mudança, de avanço e de derrubada, ao menos se deixar atentar, reparar que algo pode e deve ser diferente. Esse sentimento é o que precisamente nos dá licença para protestar frente aos acadêmicos sisudos: a literatura não é passatempo, não é bobagem para ocupar os espaços vazios.

A literatura é um conhecimento de si, do pertencimento com o que existe. É nascer do sol, é como a vida que Kerouac mostrou: sempre estrada. Ou como transcreveu Sal:“Quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty”.

Foto: Billie Holiday. 

On The Road

Nem sempre posso ou tenho capacidade para fazer a resenha de um livro. Mas, a partir de agora, colocarei a sinopse deles. Fica valendo até como indicação. Pra esse último, fiz um texto maior. Quem não tiver paciência, lê somente isso aí embaixo.

On the Road:
Narrado em primeira pessoa, a obra de Jack Kerouac conta a historia de Sal Paradise pelos Estados Unidos da América. No desolado mundo pós-guerra, o jovem, juntamente com o seu grande amigo (talvez o único a quem realmente tenha amado) Dean Moriarty, embarca em aventuras que anos mais tarde influenciaram toda a geração dos anos 60. Desprendidos de projetos para o futuro, rompendo com as rígidas relações sociais, com toda e qualquer fronteira, os jovens se entregam sem limites ao presente, a intensidade do momento e ao desconhecido. O que realmente vale e existe é a estrada - local onde tempo e espaço se fundem para reger a descoberta de novos mundos. No coração daquela América, divida pela falência moral do Leste e pelas promessas sonhadoras do Oeste, não existiam pontos de chegadas, somente de partidas, do ir sempre além e além. On the Road é assim uma fotografia dinâmica de um mundo prestes a explodir e erradicar o velho, o obsoleto. Mais de seis décadas depois, a força do livro mantém-se intocável. Recomendo para jovens e velhos desde que tenham a grandeza dos bêbados, dos aventureiros e até dos medrosos.  

terça-feira, 29 de março de 2011

Salvador 462 anos. Parabéns, cidade!


"Essa é a minha cidade e em todas as muitas cidades que andei, eu a revi num detalhe de beleza. Nenhuma assim, tão densa e oleosa. Nenhum assim, para viver. Nela quero morrer, quando chegar o dia. Para sentir a brisa que vem do mar, ouvir à noite os atabaques e as canções dos marinheiros. A cidade da Bahia, plantada sobre a montanha, penetrada no mar”
( Jorge Amado – Bahia de Todos os Santos.)

domingo, 27 de março de 2011

Pedro Archanjo

"Amanhã será conforme o senhor diz e deseja, certamente será, o homem anda para a frente. Nesse dia tudo já terá se misturado por completo e o que hoje é mistério e luta de gente pobre, roda de negros, mestiços, música proibida, dança ilegal, candomblé, samba, capoeira, tudo isso será festa do povo brasileiro, música, balé, nossa cor, nosso riso, compreende?" (Tenda dos Milagres, Jorge Amado)

Foto: Vitor Sá. Retirada daqui ó: http://br.olhares.com/preto_velho_foto1126977.html

sexta-feira, 25 de março de 2011

Invenciones


Pendurei postais  por toda a parede. Queria do azul uma cor menos celestial. Comprei livros novos e visitei todos os lugares que não conhecia muito bem: o meu quarto. O ócio é parceiro do tempo e, entre ritmos e frequências, distintas aqui se impuseram. 

A saudade me deixou dois remos e duas fotografias: a da cidade e a da montanha. No verso daquele cartão não havia um convite gentil, só uma ordem inflexivelmente seca: partir ou diminuir. E no fim, foi no ruído do vento, dobrando para a imensidão, que se deu a sua sentença: viver.