Narrado em primeira pessoa e no ritmo veloz da vida de Nova York, O Animal Agonizante desnuda a vivência do professor universitário David Kepesh, nos anos precípuos da terceira idade. Crítico literário de renome, bem sucedido profissionalmente e legítimo paladino dos anos 60, Kepesh se apresenta, ainda que não obedeça aos cânones do machismo, como homem-corpo. Aquele capaz de racionalizar/reduzir o mais bobo dos sentimentos em prazer. Da maneira como fala ao sorriso que concede às suas alunas, tudo se efetiva no ato de possuir o corpo, consumi-lo. Para inverter esse relação, um amor latino: é para Consuelo Castillo, filha de imigrantes cubanos, que Kepesh se doa por inteiro.
Sem querer e sem acreditar, Kepesh vai mostrando e ratificando a paixão, que poderia parecer o elemento subversivo, como o elemento mais arrebatador da vida - a qualquer idade, em qualquer momento, independente do pensamento que se tenha. Assim, dessa tensão entre os corpos, entre a agressividade sedutora do próprio ato sexual, se desenrolam reflexões sobre o tempo, a idade, as transformações, os desejos, enfim, sobre isso que nos animaliza e nos humaniza: o amor, o sexo e o sentir.
Mesmo que os personagens não se desenvolvam tanto, especialmente Consuelo - o que nos deixa com a clara sensação de que tanta entrega para um homem desses não se justificaria- O Animal Agonizante é uma das respostas plausíveis sobre o que significou a liberação sexual. É precisamente nesse engajamento, muito menos político e por isso mesmo mais sedutor, que Roth ganha terreno. Ele é um escritor gestado e parido na efervescência da América. Viveu, pensou e radicalizou junto com seus pares na construção do novo. E ainda o faz não se reduzindo simplesmente a explicar, mas a compreender, a reinterpretar as relações dessa e da nova geração com o seu país, com o seu mundo.
O corpo, marcado por tantas transformações e constituído pelas perturbações e quietudes da dinâmica social, talvez seja efetivamente a melhor, a mais pura e inesgotável fonte para esse aprendizado. Sem querer sê-lo, acaba se tornando o próprio animal agonizante, completamente desnudo, intenso – começo, meio e fim de tudo.
O corpo, marcado por tantas transformações e constituído pelas perturbações e quietudes da dinâmica social, talvez seja efetivamente a melhor, a mais pura e inesgotável fonte para esse aprendizado. Sem querer sê-lo, acaba se tornando o próprio animal agonizante, completamente desnudo, intenso – começo, meio e fim de tudo.
Na foto o filme O Anticristo. Embora lá tenha a marca impiedosa e a virulência de Lars Von Trier, dá subsídio pra discutir bastante coisa sobre O Animal Agonizante e vice-versa.

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