domingo, 24 de maio de 2009

Tio, conta outra.


Enquanto eu não tenho paciência para escrever sobre o novo cd de Caets, Zii e Zie, vou adiantar que a melhor coisa do disco foi o verso: "O sol se pôs, depois nasceu e nada aconteceu". Isso é exatamente o que acho de querer caetaniar o que há de bom. E nem precisei vender o corpo pra comprar o ingresso.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Então isso...


que diziam ser o fim da história, na verdade, era só o fim da picada.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Das manhãs ruins.


Esqueçam essa pessoa prestativa, cheia de idéias e de humor ácido. É que não sou assim. Eu me construo assim. E me construo bem. Mas a verdade é que não dá pra segurar nenhum barraco mal-feito com esse fardo que paira na minha história e no meu presente. Tenho um pai que é uma droga. Que sempre foi uma droga. E que não me permite lhe dedicar minha indiferença porque ele faz questão de ser autor de crueldades e atos de cinismo que, definitivamente, me envergonham e já não me deixa dúvidas sobre os limites da pretensão e abuso de poder. Porque com um pouco de leitura e vivência, a gente aprende que autoritarismo não é só exterminar 6 milhões de judeus em campos de concentração. É também o massacre nas relações mínimas de poder. E sobre isso tenho aprendido com Foucault. Para alguma coisa tem servido estar numa realidade pobre - perceber que a saída desesperada desse mundo me leva, ao menos, a ares mais tragáveis. E tenho também, acredite ego, acredito inconsciente, uma mãe. Mas dela, eu não quero falar. De ter pena de algo ou de alguém, eu já tenho suficiente, mas da minha própria condição. E tenho também muita pena de nós cinco. Dela e das minhas, na falta de termo mais apropriado, irmãs. Fico consternado com essa situação e agora que a agonia está passando vou parar de escrever. Talvez nem tivesse a liberdade de escrever todas essas coisas. Só que esse ato arbitrário ou gratuito, como chamaria Clarice, eu não pretendo amputar como das outras vezes. Vai ficar aqui. Publicado. E, agora, eu não acredito mais que não seja possível, desculpem-me todos os escritores o clichê, virar o jogo. Mas não quero tratar disso como um jogo. Se assim fosse, estaria admitiando que todos já foram derrotados por antecipação. E eu nunca aceito perder. Nunca. Fica a provocação.


A minha vida não vai passar enquanto vejo um tango e encho a taça de vinho. Desse banquete, eu não participo.

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sábado, 16 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hierarquia

Estando o meu computador na revisao técnica, ou seja lá o nome que tenha o cemitério tecnológico da Insinuante, e estando eu usando um notebook pré-histórico para postar no blog e tirá-lo da inércia dos últimos dias, faço dessa postagem algumas observaçoes reticentes que a vida pós-virtual (opa) tem me proporcionado.
1. Nina Santos pode nao ser o maior hub que eu conheço, mas é o mais disseminado. Numa cidade onde todo mundo faz questao de se conhecer, ser amigo dela é quase um serviço de utilidade pública que poupa tempo e economiza o nosso latim. Pessoas desconhecidas ligam para o seu número, nao se identificam adequadamente e deixam muito claro que te conhecem, que sabem onde estuda e com quem anda e o que pensa pelo fato simples de voce ser amigo de Nina.
2. Se o asfalto de Salvador tivesse a mesma resistencia que um jeans Levis Strauss, eu nao precisaria andar com um kit inundaçao na mochila diariamente.
3. Agora que eu consegui um estágio no Dimus (Diretoria de Museus) e que tenho pessoas altamente legais me ajudando, percebo que jamais poderei me adaptar a civilizaçao. Estou propondo uma fuga para o campo. Vamos viver todos da agricultura familiar e encher de felicidade a galere do MST.
4. Caetano Veloso vem pra Salvador e eu preciso de 3o reais para o ingresso. Vender livros velhos, me humilhar asquerosamente e topar algum programa na orla, parecem sugestivos.
5. Patrícia Dias vai fazer um estante para mim. Perguntou se eu ia pagar e recebeu em troca minha cara de só-se-for-com-o-corpo.
6. O Franz Café era um dos melhores lugares da cidade. Aí o mercado se expandiu, eles abriram uma filial em Ondina e outra na Manuel Dias e tudo virou farofa de classe média. O barulho do Jardim de Infancia tá perdendo. E ontem ainda ouvi gente sugerindo a garçonete que colocassem uma TV porque a historia de Maia, Bajuan e Raj merecia ser vista enquanto se consumia um café Vienense.
7. Deu, né?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lições da Chuva


1°. 90% dos baianos confundem chuva com frio. Desses, 80% são soteropolitanos que, ao menor vestígio de aproximação de uma nuvem escura cortando o ar sempre quente da cidade, saem de casa com sobretudo e cachecol. Resultado: cheiro de lama e chuva misturado com mofo e sujeira do guarda-roupa.


2°. Em tempos chuvosos, a vida já desritmada daqui se transforma no caos absoluto. Aí você se dá conta de que esqueceu o dinheiro do ônibus e que precisa ir a um banco retirar dinheiro. Resultado: descobre que apenas 10% dos nativos sabem diferenciar Banco 24h de Caixa Eletrônico normal:

- Depende, né, meu filho? Qual é seu banco?

- Como assim, qual é meu Banco? Quero saber onde tem um Banco 24h?

- Olhe, ali na Baixa dos Sapateiros você tem um Banco do Brasil. Tem o Itaú também que fica ali embaixo do elevador. Ah é, lá embaixo do Elevador Lacerda, no Mercado Modelo, tem todos. Tem Itaú, Bradesco, Brasil. Agora, você precisa saber qual é o seu banco? Qual é seu banco?

- Deixa eu explicar melhor, eu quero um Banco que tenha todos esses, entende? Um caixa 24h. Um que tenha todos. Porque eu preciso sacar do meu banco que não é nenhum desses daí que tem aqui por perto.

- Ah, meu filho, aí tá complicado (irritação e aquela careta de "você não sabe nada" bem típica do baiano). Aí, você descobre qual é seu banco e depois procura, viu? Tô cheia de coisa pra fazer.



Foto: As vezes, o verão faz muita falta. São Tomé de Paripe.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Vídeos


Só no programa do Amaury Junior, o que há de melhor.

1. O melhor de todos, claro, Narcisa abalando no baile. Porque a vida é mesmo louca e absurda.

2. A mulher de Carlos Alberto da Praça é Nossa, bêbada, mostrando o que é que o velhote tem.

3. Xuxa falando do oportunismo em torno do vídeo pornô Amor Estranho Amor. Notem no final o: "é ilegal? - é - bom - por cima do meu nome!"

4. Aqui Amaury dando uma de fera ferida. Depois disso, alguém duvida que ele não recebe dinheiro pra entrevistar essas pessoas todas?

5. E, por fim, Amaury Jr. entrevistando ninguém mais ninguém menos do que o super social João Gilberto. Ele mesmo. João reina, sério. "Gosta de Forró João (Elba Louca Ramalho perguntando)? Eu gosto de todos, viu Amaury, gosto de todos" "Puxa, seu programa é uma alegria e quando acaba a gente fica, oh acabou", "Você gosta da Rita Lee? O que é que você acha desse cenário de shows, etc e tal? - Isso é com o Nelsinho e com o Eduardo", "Quem é que você gosta? - Caetano, gil, o gil, (fala uns poucos cantores e, no final..) e o Roberto Silva. - Ahh, o Roberto Silva?! (Cara de Amaury: Tipo, quem é esse mesmo, hein?) etc, etc. E percebam que a entrevista é com ele, e a primeira resposta que ele dá é: posso pedir pro Nelsinho/Eduardo pra falar? Alias, né gente? Nelson Motta é onipresente. Que é que isso...

Vale Literatura


Mais um post falando de John Steinbeck e eu não aguentaria. Só que acabar As Vinhas da Ira e não deixar um mero registro aqui seria uma palhaçada criminosa. Sério que nem botava tanta fé nesse livro, apesar de ser o mais conhecidinho e já ter virado filme vencedor do Oscar e todas essas coisas que atraem boa parte das pessoas sem grandes referências. As Vinhas da Ira é de causar suspiros. Tem os melhores diálogos e a miséria mais miserável de toda a história da literatura. Sério, até eu me, veja, até eu, me senti rico. Acreditem, mas já existiu Etiópia na América. Vou reforçar: antológico.


Sente o clima:


E esses dois vão para a Califórnia; vão para lá a fim de se sentarem no halll do Beverly-Wilshire Hotel e olhar os que passam e eles invejam, olham as montanhas – montanhas, está vendo, e árvores copadas e altas! -, ele como olhos cheios de preocupação e ela pensando em como o sol vai ressecar-lhe a cútis. Vão ver o Oceano Pacífico, e eu aposto 100 mil dólares contra nada em como ela dirá: “Olha, não é tão grande como eu pensava!” E ela terá inveja dos corpos jovens e frescos que se revolvem na areia das praias. Eles vão à Califórnia para poderem regressar da Califórnia, e para poderem dizer: “Fulano e Sicrano estiveram sentados bem ao lado da nossa mesa, no Trocadero. Ela não presta, mas se veste admiravelmente.” E ele: “Encontrei uns negociantes graúdos. Eles dizem que as coisas só melhorarão quando a gente se livrar daquele sujeito que ainda está na Casa Branca”. E: “Alguém me disse, alguém bem informado, que ela tem sífilis, sabe? Aquela que fez cinema graças aos homens que teve. Bem, ela teve o que merecia”. Mas os olhos preocupados jamais têm paz, e a boca zangada jamais se abre num sorriso. O carro enorme e luxuoso passa a 100 por hora. (Página 193)


E sempre que um homem tivesse um pouco de dinheiro podia embriagar-se. Aí acabavam-se as arestas, e tudo era quente, confortador. Aí não havia mais solidão, pois que o cérebro povoa-se de amigos e o homem podia achar seus inimigos e aniquilá-los. O homem sentava-se num buraco e a terra tornava-se macia debaixo dele. A desgraça doía menos e o futuro não mais aterrorizava. E a fome não mais rondava por perto, o mundo era suave e sem complicações e o homem podia chegar onde quisesse. As estrelas desciam maravilhosamente próximas e o céu era tão encantador! A morte era um amigo e o sono era irmão da morte (...). As estrelas tão pertinho da gente, e a tristeza e o prazer tão perto um do outro, a mesma coisa, no fundo. Só queria estar o tempo todo bêbado. Quem foi que disse que isso não prestava? Quem ousa dizer isto? Os pregadores, mas eles têm a sua maneira própria de se embebedar. Mulheres magras, estéreis, mas estas são por demais miseráveis para compreenderem uma coisa assim. Os reformadores, mas estes não conhecem a vida bastante de perto para poder julgá-la. Não senhor... As estrelas estão muito próximas, tão próximas, e eu pertenço à confraria do mundo. E tudo é sagrado...tudo até mesmo eu. (Página 417)



Daí que reli isso e fiquei pensando se deveria deixar um depoimento com um trecho de um livro de Virgínia Woolf pra uma amiga. Naturalmente, não ia colocar as referências nem nada disso. Mas, quer saber, acho que não vale a pena gastar a literatura.