Ontem a noite fiquei lendo Mitologias, de Barthes. Eu não consigo gostar, simpatizar ou me animar com qualquer estudo na área da semiologia. É pretensiosamente interessante, verdadeiramente chato e cruelmente difícil. Cruel porque não permite uma leitura agradável e de compreensão mínima. Não é possível que alguém quando escreve não pense nunca em quem vai ler aquilo ali e o que vai achar daquela panacéia toda. Mas Eco, Barthes, Saussere parecem quer fogem a regra básica. Toda vez que me deparo com textos pretesiosamente interessantes, verdadeiramente chatos e cruelmente difíceis, em xerox pouco legível, me questiono sentido de estar fazendo aquilo, de continuar na faculdade vendo certas besteiras inúteis, me pergunto porque não largar aquilo ali imediatamente e ler coisas mais úteis. É um pesadelo. Passei horas pensando na facom, grifando uma linha ou outra, horas pensando o que deveria fazer quando acabasse a faculdade, isto é, levando em consideração que eu realmente pretendo terminar a graduação, e se deveria ou não aceitar a proposta de estágio lá em Simões Filho. Ensaiei bem a resposta que daria assim que me ligassem de novo. Tudo nos conformes, risadinha na hora certa, rejeição a base do estou-visivelmente-contrariado-mas-não-vai-dá, e todas essas coisas que a gente treina para dar um belo de um fora e que na hora só sai um "sim". Pois é, pasmem, saiu. E o mais grave, com o consentimento da minha vontade. Avaliei: engarrafamento até o iguatemi, espera de ônibus pra simões filho, engarrafamento até simões filho, irritação e outras coisas mais? Sim. Só que eu preciso trabalhar, ganhar dinheiro, colocar experiência no meu currículo frouxo, comprar um ar condicionado para o meu quarto, ajeitar meu acervo de livros, etc. E o mais importante de tudo: Rio de Janeiro e Curitiba entraram na lista de afazeres.
Foto: No dia em que o avião quase caiu indo pra Cidade Chuvosa, digo, Maravilhosa. Quando chove no Rio a coisa mais provável de acontecer é descer no aeroporto errado, perder a conexão e acabar dormindo nesse saguão maravilhoso do Galeão, cuja internet custa 42 reais a hora e o terminal de embarque 1 tem a mesma extensão que o Maracanã.
Foto: No dia em que o avião quase caiu indo pra Cidade Chuvosa, digo, Maravilhosa. Quando chove no Rio a coisa mais provável de acontecer é descer no aeroporto errado, perder a conexão e acabar dormindo nesse saguão maravilhoso do Galeão, cuja internet custa 42 reais a hora e o terminal de embarque 1 tem a mesma extensão que o Maracanã.
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