domingo, 18 de maio de 2008

O word reconhece. Eu também.

(Na foto Steinbeck fazendo cara-de-quanta-besteira-há-nesse-mundo)

John Steinbeck foi o meu achado literário. Literalmente. Andava revirando uns livros antigos na “biblioteca” de minha casa lá no interior, quando achei um livro amarelado e de título interessante: “A rua das Ilusões Perdidas”. Títulos interessantes me atraem. E eu fiquei me perguntando o que um Nobel estaria fazendo em meio a um punhado de livros infanto-juvenis, espíritas e de medicina. Bem, mas estava lá, paradinho e pedindo para ser lido nas monótonas tardes daquela cidade. Tenho a seguinte mania: assim que acabo um livro bom, vou investigar todas as opiniões sobre a obra. Eis que descubro que ele tinha sido o mesmo autor do aclamado As Vinhas da Ira. Fato que tenho descoberto um excelente autor. E eu gosto de descobri bons autores, assim do nada, sem indicações, sem referências, do nada mesmo. Foi assim que descobri Isabel Allende e Hemingway, por exemplo. Volto e meia tenho essa mania de escolher livros como quem escolhe frutas no mercado: está com uma cara boa, então leva. As vezes dá errado. Deu errado com Borges, por exemplo. A cara estava boa, mas só a cara. Ficções é um livro sofrível, sofrível mesmo, do tipo que você conta quantas páginas faltam para acabar o capítulo. Um dia pretendo relê-lo pra confirmar que eu não estava com problemas quando li. Já quebrei a cara também com esses livros infanto-juvenis que colocam em letras gigantescas na capa: “O melhor livro de fantasia depois do Senhor dos Anéis e de Harry Potter”. E muitos idiotas acreditam piamente que estão prestes a ler uma outra obra-prima. Eu, por exemplo, fico sempre tentado. Já levei dois desses lixos para casa. Mas Steinbeck é diferente (acabo de perceber que Steinbeck é reconhecido pelo Word). Ele é bom nos diálogos, faz páginas inteirinhas super bem escritas, passeia de conversas densas a rotina do dia-a-dia com uma facilidade admirável. E é perverso também. Perverso porque coloca o dedo na ferida humana. Expõe cada contradição nossa e praticamente diz: “e aí, você acha que é diferente disso? Pois saiba que não, você não é. É tão igual ou pior do que eles e agiria exatamente como eles agiram, não é?”. Sim, sim. E, apesar de alguns dizerem que Steinbeck limita-se a sociedade americana, eu tenho absoluta certeza que seus escritos são uma crítica feroz a toda sociedade capitalista. É imperdoável. Uma espécie de Lars Von Trier da Literatura. Com a sutil diferença de que Steinbeck parece crer e nos faz crer que as nossas saídas, que os nossos caminhos estão no próprio homem, mesmo que esse homem seja tão condenável.

2 comentários:

Glauber Farias disse...

saquei!

pq vc nao escreve ficção? certeza que se sairia melhor, muito melhor.

é sério.

Anônimo disse...

Gil, adorei.

Me vi em tuas palavras quando descobri janis joplin aos 14 anos no meio de uns cds velhos do meu pai. ouvi e adorei.
o mais engraçado de tudo é que fui indicar pra uma pessoa e ela disse pra mim: " ohh, bem vinda ao mundo " hahahahah

o fato é que ninguém me rouba essa descoberta.