quarta-feira, 29 de abril de 2009

Vídeos


Só no programa do Amaury Junior, o que há de melhor.

1. O melhor de todos, claro, Narcisa abalando no baile. Porque a vida é mesmo louca e absurda.

2. A mulher de Carlos Alberto da Praça é Nossa, bêbada, mostrando o que é que o velhote tem.

3. Xuxa falando do oportunismo em torno do vídeo pornô Amor Estranho Amor. Notem no final o: "é ilegal? - é - bom - por cima do meu nome!"

4. Aqui Amaury dando uma de fera ferida. Depois disso, alguém duvida que ele não recebe dinheiro pra entrevistar essas pessoas todas?

5. E, por fim, Amaury Jr. entrevistando ninguém mais ninguém menos do que o super social João Gilberto. Ele mesmo. João reina, sério. "Gosta de Forró João (Elba Louca Ramalho perguntando)? Eu gosto de todos, viu Amaury, gosto de todos" "Puxa, seu programa é uma alegria e quando acaba a gente fica, oh acabou", "Você gosta da Rita Lee? O que é que você acha desse cenário de shows, etc e tal? - Isso é com o Nelsinho e com o Eduardo", "Quem é que você gosta? - Caetano, gil, o gil, (fala uns poucos cantores e, no final..) e o Roberto Silva. - Ahh, o Roberto Silva?! (Cara de Amaury: Tipo, quem é esse mesmo, hein?) etc, etc. E percebam que a entrevista é com ele, e a primeira resposta que ele dá é: posso pedir pro Nelsinho/Eduardo pra falar? Alias, né gente? Nelson Motta é onipresente. Que é que isso...

Vale Literatura


Mais um post falando de John Steinbeck e eu não aguentaria. Só que acabar As Vinhas da Ira e não deixar um mero registro aqui seria uma palhaçada criminosa. Sério que nem botava tanta fé nesse livro, apesar de ser o mais conhecidinho e já ter virado filme vencedor do Oscar e todas essas coisas que atraem boa parte das pessoas sem grandes referências. As Vinhas da Ira é de causar suspiros. Tem os melhores diálogos e a miséria mais miserável de toda a história da literatura. Sério, até eu me, veja, até eu, me senti rico. Acreditem, mas já existiu Etiópia na América. Vou reforçar: antológico.


Sente o clima:


E esses dois vão para a Califórnia; vão para lá a fim de se sentarem no halll do Beverly-Wilshire Hotel e olhar os que passam e eles invejam, olham as montanhas – montanhas, está vendo, e árvores copadas e altas! -, ele como olhos cheios de preocupação e ela pensando em como o sol vai ressecar-lhe a cútis. Vão ver o Oceano Pacífico, e eu aposto 100 mil dólares contra nada em como ela dirá: “Olha, não é tão grande como eu pensava!” E ela terá inveja dos corpos jovens e frescos que se revolvem na areia das praias. Eles vão à Califórnia para poderem regressar da Califórnia, e para poderem dizer: “Fulano e Sicrano estiveram sentados bem ao lado da nossa mesa, no Trocadero. Ela não presta, mas se veste admiravelmente.” E ele: “Encontrei uns negociantes graúdos. Eles dizem que as coisas só melhorarão quando a gente se livrar daquele sujeito que ainda está na Casa Branca”. E: “Alguém me disse, alguém bem informado, que ela tem sífilis, sabe? Aquela que fez cinema graças aos homens que teve. Bem, ela teve o que merecia”. Mas os olhos preocupados jamais têm paz, e a boca zangada jamais se abre num sorriso. O carro enorme e luxuoso passa a 100 por hora. (Página 193)


E sempre que um homem tivesse um pouco de dinheiro podia embriagar-se. Aí acabavam-se as arestas, e tudo era quente, confortador. Aí não havia mais solidão, pois que o cérebro povoa-se de amigos e o homem podia achar seus inimigos e aniquilá-los. O homem sentava-se num buraco e a terra tornava-se macia debaixo dele. A desgraça doía menos e o futuro não mais aterrorizava. E a fome não mais rondava por perto, o mundo era suave e sem complicações e o homem podia chegar onde quisesse. As estrelas desciam maravilhosamente próximas e o céu era tão encantador! A morte era um amigo e o sono era irmão da morte (...). As estrelas tão pertinho da gente, e a tristeza e o prazer tão perto um do outro, a mesma coisa, no fundo. Só queria estar o tempo todo bêbado. Quem foi que disse que isso não prestava? Quem ousa dizer isto? Os pregadores, mas eles têm a sua maneira própria de se embebedar. Mulheres magras, estéreis, mas estas são por demais miseráveis para compreenderem uma coisa assim. Os reformadores, mas estes não conhecem a vida bastante de perto para poder julgá-la. Não senhor... As estrelas estão muito próximas, tão próximas, e eu pertenço à confraria do mundo. E tudo é sagrado...tudo até mesmo eu. (Página 417)



Daí que reli isso e fiquei pensando se deveria deixar um depoimento com um trecho de um livro de Virgínia Woolf pra uma amiga. Naturalmente, não ia colocar as referências nem nada disso. Mas, quer saber, acho que não vale a pena gastar a literatura.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Hoje o samba saiu.


Esse é o tipo de comunidade que vale um conta no orkut:

Tô aqui ouvindo alguém dizer que praga de mãe é a pior que existe. Isso é o tipo de comentário que me faz aceitar que a Idade Média não passou para todos e que a fogueira talvez seja a melhor forma de lidar com algumas bruxas//

O cd de Mônica Salmaso cantando Chico (Sim, ela também canta Chico - quer dizer, ela SÓ canta Chico) é razoavelmente bom. A versão dela pra Ciranda da Bailarina é realmente decente. E há outras coisas igualmente admiráveis, tipo Olha Maria e Partido Alto. Pra ficar tudo legal, ela só precisaria jogar no lixo a pose de Virgem Maria do rosto fazendo o show mais dramático e tenso Adoro dramas e tensões//

Foto: Eu e Marie Claire. "As minhas cervejas são de 1 real. Eu não pago por essas bebidas não. As boas são Bavaria, Sol, cordinhas, dessas que eu gosto. Ô moço, você não tem aí uma promoção de Beiju com Cerveja não? Esse negócio de refrigerante não está com nada"//

Pra não dizer que não falei das flores





Daí que a roda de conversa, bebida, música e risada mais legal é aquela formada por ex-integrantes do movimento estudantil. Fato. Tirei essa conclusão, no sábado, quando estava no aniversário de Luamorena Leoni. Tirando a parte em que eu bebi, cai, quase vomitei e encerrei a noite chorando initerruptamente enquanto obrigava dois dos meus melhores amigos a passar todos os 39 vídeos favoritos que tenho no Orkut, o restante foi absurdamente legal. Faria tudo de novo, quer dizer não tomaria banho de madrugada na casa de outra pessoa.

Dos presentes e conhecidos, todo mundo já tava fora do ME: ou largou porque se formou (É, né? Uma hora a gente também se preocupa com as aulas da universidade) ou porque foi tirar férias intermináveis enquanto pensa em táticas mais práticas de mudar o mundo que não necessariamente envolvam marchar pela Avenida Sete no belo sol de 34 graus que faz aqui nessa cidade. O meu maior referencial pra esse caso é minha amiga, com a retórica mais inteligente e clara que já vi, Munira (Ex-Frente Única, Ex-Carb, Ex-Contraponto, etc.).

Entrar no ME é tão indispensável quanto sair dele. De verdade, nenhuma experiência me marcou assim, tanto com a formação política, posturas e concepções que a gente carrega pra todos os lados, todos os dias, aprimorando e evoluindo, quanto pelas, extremamente necessárias, desilusões. O ME serviu até mesmo pra eu perder a vergonha, falar em público, discutir por horas intermináveis com aqueles anarquistas que queriam explodir a universidade, e me divertir muito com as picuinhas entre todas aquelas siglas que representam as inumeráveis correntes constituintes da esquerda brasileira. E, vai, naquela época eu não achava um saco perder 4h numa assembléia pra discutir quais seriam os pontos de pauta da reunião e depois de tudo decidido, opa, cadê todo mundo?

Quando essas pessoas todas se reúnem, ao invés de arranjar alguma explicação marxista-leninista-trotskista-gramsciniana para nossa relativa inércia e praquela conversa fiada de que captulamos e deixamos a resistência, etc e tal , a gente só arranja boas risadas. Boas risadas acompanhadas, agora, de samba. Maíra, ex um monte de coisas e siglas que não caberiam aqui, tem uma banda de samba, cujo nome eu não posso divulgar - não porque seja segredo ou exista o risco da banda se vender ao sistema (rs); é só que não tem nome mesmo, (vai saber por que). Finalmente alguma coisa underground que não seja o som lamentável do rock baiano. Mamai, além de cantar bem, dançar bem, atuar bem, ter olhos lindos, ainda gosta de Chico, Edu e Noel. Currículo completo, fechação total.

Falar de ex-militantes estudantis poderia até me deixar com aquela sensação passiva de ser "meio intelectual, meio de esquerda". Mas, diferente daquela sensação de que o ME só vomita pra fora da "resistência", bêbados desesperançosos e desiludidos ávidos por se esconder no submundo da cultura, dos bares e da vida, fico, nesses encontros, plenamente feliz de ver que esse mesmo Movimento pode sempre colocar pra fora de si pessoas mais humanas, sensíveis, evoluidas, sensatas e dispostas a não necessariamente mudar tudo num passo de um revolução vermelha, mas de mudar a vida de qualquer pessoa da forma mais simples que lhe é possível. De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades. Nisso, o velho Karl nunca perdeu a razão.

Foto 1: Onde estará o autor dessa chatice?

domingo, 26 de abril de 2009

Desafetos dominicais


Música gringa é um lixo, um lixo.


A vida dando voltas sobre um mesmo lugar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Santa Chuva, saudade e outras coisas mais.


Semana começando na quarta-feira é a melhor coisa que pode acontecer. Minto, essa chuva belíssima aí fora consegue superar. Ontem fez 22 graus aqui. Levando em consideração que segunda-feira pela manhã eu caminhava pra faculdade sob um sol de 34, posso dizer que isso é quase um inverno glacial. E há pessoas reclamando. Mas reclamar do temporal ou da cidade que não tem infra-estrutura pra suportar 10 minutos de chuvisco?
Amanhã tenho aula de novo. De verdade, será que algum dia eu poderei ficar feliz de fazer coisas legais? Senti tanta saudade da viagem ontem que até sonhei que nadava por um gruta e, do outro lado, me deparava com, pasmem, os Andes e, claro, nevando. Juntarei dinheiro esse ano, juntarei dinheiro esse ano, juntarei dinheiro esse ano....

Mountain Bike: é como sua vida, sabe? Tem quedas maravilhosas, subidas lastimáveis, paradas, cenários bonitos e outros bem degradantes em vista, vontade de voltar, risco de se acabar em algum descuido, sensação de liberdade absoluta em alguns segundos, e, claro, define bem o que eu sempre digo da vida: no fim, é você e você e nada mais. Comassim eu elogiei o Mountain Bike? Quando cheguei ao hostel, quase xinguei o cara que me indicou o passeio - teve uma curva, a bicicleta passou descontrolada e por dois dedos eu não me bati naquele carro. E eu viajei SEM seguro saúde, SEM, foi demais me imaginar destroçado SEM um médico pra dar auxílio. Crianças não façam isso. Não façam.

Ney cantando Poema de Cazuza. Me acaba:

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eu quero ligar, eu quero um lugar






Ao sol de Ipanema, cinema e televisão!


Abrir a segunda-feira exige doses cavalares de Maria Bethânia cantando Chico Buarque.

Sente o clima dessa sequência:

Sem fantasia (Vem, meu menino vadio, vem, sem mentir pra você - Com aquele "vem" que só ela faz)

Bem querer (E quando o meu bem-querer ouvir, o meu coração bater demais, há de me rasgar com a fúria, a fúria, a fúria, a fúria dos animais - Rasgando cada "r" daquele jeito dramático)

Sem açúcar (Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa, dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa - Dá até pra imaginar a mão na cintura)

Atrás da Porta (Quando olhaste bem nos olhos meus - Segura a respiração)

Com açúcar, com afeto/Cotidano/Carolina (Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato e abro os meus braços pra você - Emenda com Cotidiano e tiops, é a parte mais viciante do disco, explosiva. E, bem, ela ainda canta Carolina, "eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu." Fechação)

Valsinha, Tatuagem e Bom Conselho (E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais, que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz - De acordo comigo mesmo, é uma das melhores músicas já feitas no mundo. Apresente-me uma melhor e será somente equiparável. E Tatuagem, né? É abusivamente bom ver a voz de Bethânia grudando das palavras, parou)

Rosa dos Ventos (E a multidão vendo em pânico, e a multidão vendo atônita, ainda que tarde
o seu despertar - Dessas interpretações tipo Olhos nos Olhos, no começo do disco, que faz a gente pensar que a música é só dela. E, tá, de fato, é.)

Cálice (Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engulir a labuta. A letra é data? É. Regravada incontáveis vezes? É. Já teve fase de enjoar e fase de não parar de ouvir? Absolutamente. Mas alguém discorda de que continua sendo uma preciosidade avassaladora e extremamente comovente?)

Baioque (Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão - É a letra que dá título ao post. Não existe sedução maior do que a parte: "Mamy, não quero seguir definhando sol a sol. Me leva daqui, eu quero partir requebrando rock'n roll, nem quero saber como se dança o baião, eu quero ligar, eu quero um lugar, ao sol de Ipanema, cinema e televisão"- Não existe.)

Dois E Aindas:

E ainda (1)
tem Olhos nos Olhos, Terezinha, O meu amor (quem não gosta daquele "viu?" no final, desconhece bom gosto, beijos), Bárbara, Mar e Lua, Todo o sentimento, João e...Tipo, o disco TODO! Melhor não comentar, 200 páginas me esperam repousando lindamente na minha cama.

E ainda (2)
me pedem pra suportar essa gente ouvindo Ting Tings e Arctic Monkeys. Ora se...

Fotos: E ainda dizem que Bethânia não é bonita. Sure?

domingo, 19 de abril de 2009

¿Porque no te callas?


Dar As Veias Abertas da América Latina pra um presidente americano seria a piada diplomática mais cômica da década se não estivesse o gesto carregado de boas e sinceras intenções. Palhaçada!

Foto: E, tio, a idade chega pra qualquer um, né? Pra qualquer um.