quarta-feira, 19 de março de 2008

Conspiração II


“Onde fica a Polícia Federal?”, eis as respostas:
1) “Logo ali. Você vai em frente e vai ver um prédio enorme.”
2) “Segue reto até lá embaixo e lá você pergunta a alguém. Você vai andando, é?! Olha são dois quilômetros.”
3)“Não, nada disso, é aqui pertinho, é só você ir na direção contrária a essa que você está indo.”
4)“Fica em Água de Meninos, lá pro lado da feira de São Joaquim”
5)“Oxi, porque você está andando nessa direção? Tem que voltar tudo. É lá ó, lá ó, ta vendo?”
6)“É pra que? Passaporte? Ó, passaporte é logo ali, agora se for protocolo é lá embaixo”
7)“Não, não tem nada disso não! É tudo num lugar só agora. É tudo lá embaixo.”
8)“Você quer ir pra onde mesmo, hein? Vixe, pra lá?! Que horas?! Ah, não vai dar tempo não. Você tem que voltar tudo e pegar o ônibus lá, lá do outro lado da pista.”
9) “Oh, você tem que andar, andar e andar. Comece andando logo se você quiser chegar no horário. Ande, pode ir indo por aí.”
10) “Eu to achando melhor você voltar lá pro Mercado Modelo.”
11) “Ta vendo aquele prédio azul ali, do lado da Codeba?! É ali. Pode ir, que é ali”
12) “Eu sou guarda carro rapaz, tem é 20 anos de profissão. Quer ir na puliça, é? Aprontou o que? Eu num sei onde fica não. É melhor você ir ali na frente e perguntar aqueles outros dois caras ali, ó? HE-HE-HE”
13) “Você já foi lá no prédio azul? Já foi? E tá em greve, é? E agora?”

Pra completar a farra:

14)“Não, meu filho, o que você está procurando é tirar o passaporte, é? Ah, isso não é na Polícia não. Você tem que ir é no Ministério do Trabalho.
- Oi?
- É no Ministério do Trabalho, no Centro Administrativo, lá na Paralela”.

Eu juro que eu não aumentei um centímetro dessa situação bizarra que me aconteceu. Juro. Pelo contrário. O fato era que eu tinha 25 minutos para chegar num lugar. Se eu não chegasse a tempo, eu não conseguiria o passaporte, logo não teria os documentos para entregar na UFBA, logo não viajaria. Imaginem o meu desespero vendo aquelas pessoas dando informações completamente desconexas, contraditórias e sem noção, vendo o tempo passar e não chegando a lugar nenhum.
Até que eu perguntei a um policial a paisana (Veja bem, se ele não soubesse onde fica a sede da Polícia Federal, ninguém mais saberia) e ele me jurou de pé junto que era em Água de Meninos, que eu pegasse um ônibus ali e descesse dois pontos depois e atravessa as quatro pistas do comércio. Explicou-me também, que o tal prédio perto do Mercado Modelo era, na verdade a Receita Federal, por sinal em greve, e que era normal as pessoas confundirem passaporte com carteira de trabalho.
Bem, é melhor não contar quando cheguei à Polícia, basta saber que no final das contas eu consegui fazer o tal passaporte e que continuou acreditando que tudo que existe na vida não passa de um grande pretexto pra gente dar risada.

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