quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mas não me pode alcançar.


Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo.



Vendo fotos terrivelmente mal tiradas de um festa que reuniu 100% dos indieOTAs de Salvador, fico incrivelmente feliz de saber que existem pessoas piores que eu. Gente tosca e pretensiosa. Pra todas elas mando meu desprezo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cinco considerações ou vida pós mundo.


1. Comprar 7 livros, num único volume, por R$15,90 é tendência, minha gente. Melhor investimento que fiz desde que passei a viver na linha da pobreza.

2. Abomino gente que diz que o mundo tá decadente. Por acaso alguém conhece aí a época de ouro da história?

3. É desesperador estar no penúltimo semestre vivendo como se tivesse sido aprovado no vestibular ontem.

4. O que se pode fazer quando se chega aos 21 e já não se acredita na sua carreira, em gente organizada, na possibilidade de ganhar na loteria ou, pior, no futuro ?

5. 18h. Ave Maria. Alguém aí por cima intercede porque o negócio aqui embaixo tá bem, mais bem por mais mesmo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Milton Nascimento




Elis uma vez disse que se Deus existisse, teria a voz de Milton. Deu vontade de falar dele hoje. Poderia escrever tantas coisas de várias músicas, mas acho que Elis já disse muito mais do que eu conseguiria.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Da dificuldade em dizer coisas.


O desejo mais óbvio de qualquer estudante às vésperas de se formar é ter muito dinheiro. Quer dizer, acho bem provável que esse seja o desejo de qualquer pessoa prestes a ter uma vida. O que certamente me diferencia das criaturas que agonizam na fila da loteria é que, definitivamente, ter dinheiro não me tiraria apenas da pobreza material. Ainda que, combinemos, isso seja altamente louvável. Enquanto meus pares contemplam o Morada dos Cardeais e se deliciam com a possibilidade de terem seis dígitos na poupança, eu tento calcular se é realmente possível comprar a coleção de Monet, Degas ou Portinari depois de ter montado um museu de Van Gogh para uso exclusivamente pessoal. Com o dinheiro que vou ganhar trabalhando como escravo numa Universidade sucateada, nem falsificações eu conseguirei. Acho que poderia parar aqui com a prosa. Tudo o que eu pretendia dizer era que gostaria de ir embora dessa cidade, desse país, acordar a cada dia num lugar novo, esquecer de muitas coisas e viver um período nas montanhas. E o problema é só um. Veja, eu nem imploro muita coisa. Custa muito deixar Salvador? Não. Custa muito deixar o Brasil? Menos ainda. Conhecer gente nova? É até prazeroso. Viver nas montanhas? Gente, teria maior benefício pra conceder a humanidade do que esse??? Acho que não. Mas eu, entregando o braço em troca de umas moedas, vivo praticamente na linha da pobreza. E não existe nada mais degradante do que receber chicotadas e ser rodeado por pessoas deliberadamente inferiores. Mentalmente inferiores. Incapazes. Posso não abominar todas essas pessoas que viajam para Amsterdam porque acham que liberar maconha é mais legal do que a casa de Rembrandt? Tem outro sentimento que não seja desprezo por todas as pessoas que, sei lá, gastam 3 mil reais ouvindo Bel Marques perder a voz enquanto você não tem 3 mil reais pra chegar até a casa de Neruda em Valparaíso? Pode existir sensação pior do que gente fyna e ryca que fala amega e acha que Vidas Secas foi o maior trauma da escola? Quer dizer, é direito legítimo ficar profundamente aborrecido. Perder a paciência e um pouco da razão. Via de regra, quem sai da vida tacanha pra se banhar na luz, volta correndo pra se esconder embaixo dos lençois. Mundo desigual, have a nice day.

Foto: Maragogipe.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A espera de um telefonema.



Ontem Luamorena me disse que acessou o blog. Ela procurou no google o nome dela e pá, caiu aqui. Temeroso, asi estoy yo. Porque se eu exclui esse blog da página de recados do orkut, do perfil e do mundo visível seguramente era com a intenção de escrever abertamente. E tem uns posts meus que foram além da proposta de rodar tudo. Temeroso, asi estoy yo. Enquanto, Sebastião vai levando leite no carrinho, eu andei me perguntando como seria o dia em que deixaria Salvador. Sorrateiramente, escancaradamente e fugazmente.

Mari Betha, minha companhia de horas desoladoras. Cada um tem seus mistérios, seu sofrer, sua ilusão. Casinha Branca

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

No topo do mundo, nas profundezas do desespero


Desiti de todas as matérias que prometiam tornar meu semestre promissor. O primeiro alvo foi Ciência Política. Passei pra Comunicação e Contemporaneidade e, logo depois, a minha matéria preferida sobrou. Fique em paz Sociologia do Conhecimento. Aqui jazz um penúltimo semestre de graduação.

Se eu fosse #Goethe, essas decisões sucessivas poderiam ser sintetizadas num único apelo: "Quem, de três milênios não é capaz de se dar conta,vive na escuridão, na sombra,à mercê dos dias, do tempo". O dia em que eu me deparei com essa citação no sempre controverso O Mundo de Sofia, cometi um delito: roubei pra mim. Fui me apoderando dela, juntando as mãos com força, segurando, espremendo, sufocando-a. Só pra ter certeza, aperto diariamente. Foi olhando distraidamente o meu rígido calendário cheio de Universidade que repousei a mão no interior do bolso direito e retirei dele o bicho. Arreganhava os dentes na minha direção alucinado por destruir minha cara e deformá-la: "Quem, de três milênios não é capaz de se dar conta,vive na escuridão, na sombra,à mercê dos dias, do tempo". Apertei-o com força. Urrou, expôs a língua. Quem, de três milênios não é capaz de se dar conta,vive na escuridão, na sombra,à mercê dos dias, do tempo. É um processo. Uma obra de Kafka, sim. Dar-se conta. Ali enterrei a minha lógica torta e desetimulante. Risquei as coisas medíocres, consumidoras de tempo.

Livre paras piores decisões. Dar-se conta. Todos os dias.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

BIO


Se pão ou pães é questão de opiniães

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Coisas


Num desespero básico de quem não tem dinheiro para comprar livros novos, reli o que eu mais critiquei e que mais odiei desde que abandonei Borges, Coisas Fragéis, do Neil Gaiman. Pra não dizer que eu realmente entendo muito menos de literatura do que eu gostaria, firmei a convicção de que só mesmo estando coma cabeça na Noruega e num projeto malfadado de fazer coisas exóticas em terras geladas eu poderia fechar o livro de Gaiman e ameaçar entregá-lo a um sebo sujo pela quantia miserável que algum espertinho oferecesse. Náusea e aversão somadas a prejuízo. Isso porque o fato de realmente acreditar que o mesmo livro pode trazer perspectivas completamente diferentes se lidos em diferentes épocas da vida, não me faz necessariamente reler as histórias toda vez que eu acho que algo mudou em meu cotidiano. Imagina passar a juventude inteira lendo Sidney Sheldon e outras coisas toscas que me mandavam ler na sexta série?
Quer dizer, não é que eu tenha lido apenas um excelente livro. Economizei, descobri um ótimo autor e agora estou completamente tomado pela possibilidade de reler Ficções - tá exagero.

P.S.: Minha gente o que aconteceu com meus amigos e conhecidos classe A e B? Até agora não ouvi um único comentário sobre o Cirque Du Soleil. Nada. Nenhuma foto no orkut ao lado de um malabarista, nenhuma legenda "Eu e a equilibrista linda", ou as imagens dos ingressos, ou..Nada.
Algo de esquisito aconteceu porque eu tenho certeza que a riqueza daqui continua cafona, desmiolada e axezeira.
P.S.2: E eu falo isso porque queria saber alguma coisa sobre o espetáculo.
P.S.3: Na verdade, eu falo isso porque queria ir.